você que já veio e você que está

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Peter Pan do mau, a sombra, o vento ruim

Ai, sai daqui com teus trapos, memória infertil. Larga-me ao meu vicio de esquecer-me, afugenta-te, entende que estou dolorida e vou morrer de amor. Va-se! Morte como esta não satisfaz, adia, só. Foge de mim enquanto ainda estou jogada no chão e não posso correr. Que jogo esse que jogamos conosco mesmos, perecível divindade. Tudo o que resta sempre e igual - o marmore e o mau. Tudo fruto de apedrejamentos e apodrecimentos das tonturas boas em conserva, faltaram especiarias. O ser docificado e maior do que todos os seres, ao menos em simbolo, gasta sua imagem. Deixa que durma, asa ruim, criação nefasta, imagem distorcida, mentira de mel. E vai dormir também, para que, mais tarde, eu te desperte. Ou alguém te desperte em mim.

domingo, 1 de agosto de 2010

Uma música clássica quase mudou minha concepção

perdi o sinal
isso foi a coisa mais triste que já me aconteceu em vida

corri desesperada
mas, nada

mais nada! correr é tolo
quase como dizer 'quando perde-se'
quando o certo é dizer
'quando se perde'
tolinho, tolinho

nextel é foda

correr é erro de português
é erro de inglês, erro de retorno

quase como quando há eco
e não se consegue dizer 'oi'
sem que volte 'oi'
e assim se fica para sempre
'oi'
'oi'
'oi'
'oi'
conversa circularmente tolinha

então repete-se sempre a mesma história
com a mesma Soraia e o mesmo lucas com 'l' minúsculo
de sempre

Soraia, modelo de biquinis da estação, lucas com 'l' minúsculo, o bosta de seu namorado

isso era para ser uma poesia que era para ter nexo
mas que resolveu seguir o curso poético

- formei-me no curso de inglês no final do ano passado, o que foi ótimo, mas ainda não peguei o meu diploma, será que eles ainda têm? -

das poesias em geral, perdendo qualquer sentido

tiraram uma placa que dizia 'direita',
o que mudou tudo.

mudou tudo, tudo, tudo...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ao menos uma vez

"Tentei chorar e não consegui."

sábado, 5 de junho de 2010

Dona de casa que toma bolinha

quando se está de frente prum abismo de doces é
assim que se sente, né? henrique
cido
e quantos risos que já não cabem no inter e no exter
histéricos de tanto salivar bucólicas bochechas a expre
mer-se em concavidades? tantos
e quantos quantos deus quantos pontos de excla
mação poderia eu e deveria até utilizar nesse samba
estridente que canto ou excre
to? tudo faz parte de um sinistro expe
rimento em que sangram álibes fúnebres excre
mentos e penteiam os cabelos dos anjos, espec
tros?
tudo resulta duma viagem astral menos íntegra do que integral
mente ác
ida

sábado, 8 de maio de 2010

Primeiras Navegações

Ai, Deus! Como eu
chorei!

Foi tanto

que fiz viagem de navio
no próprio rio

de meu pranto

- voltei nova!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Rodrigues

- Ui, Rodrigues! Tira a mão de debaixo da minha saia! Não, não, Rodrigues. Eu já disse! Para de ser insistente. Não adianta. Eu não vou. Não vou. Não vou, Rodrigues, não vou. O quê? Mas que safadeza, Rodrigues, imagine, à uma hora dessas eu já estou há muito tempo em... Fala mais baixo, Rodrigues, todo mundo está ouvindo. Não, ai, Rodrigues, ai, não (ri feroz)! Rodrigues, você é casado. Você acha isso bonito? Não, Rodrigues, eu não vou ser a sua putinha particular. Porque não. Porque eu me dou o devido respeito. Porque, porque... porque eu sou uma mulher de fibra. Porque eu mereço alguém que – Rodrigues, tira a mão daí – eu estou falando sério – por que você não me leva a sério? – que que que me ame, que que... que que que me queira só a mim, mereço alguém que. Jura? Ai, Rodrigues, mas isso não é perigoso? Seu carro? Qual estacionamento? Rodrigues, Rodrigues. Você quer fazer com que eu perca o meu emprego aqui dentro? Não, Rodrigues, não adianta me ligar. Aliás, eu salvei o seu número como “não atender”. Porque assim é menos provável que eu te atenda. Não, Rodrigues, eu não fiz isso só para me sentir tentada. Paulo? Mas eu nunca te chamei de. Por que agora? Tudo bem, se você faz tanta questão. Tanto faz. Não, não me impressiona. Está longe. Muito menos isso. Nem isso. Também não. Aí estamos começando a nos compreender; mas... não. Talvez assim. Talvez assim. Mas um pouco mais. Mais, Rodrigues. Mais. Assim. Assim. Assim. Isso. Isso. Sso. So. O. Ah. Ah. Aaaah.

- Vem cá, quem é esse Rodrigues de quem você tanto fala no sexo?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tulipa

a beleza de tudo entre nós está na minha falta de pretensão e na tua exatidão
poéticos somos, seremos, viemos assim ao mundo em que estamos sorrimos
em letras, em pingos de tinta e pingas choramos também e amamos
a outros também e enfim estamos no mesmo lugar eu inata você
a mirrar mas nos encontraremos encontraremo-nos por aqui
nesta esquina ou naquele bar nos olhos que nos encer
ram as palavras que pousam desconhecendo-se uns
aos outros no colo de um, o outro que se põem
a cantar mudos cada um com seu respectivo
par de bolas de gude vibrantes marrons
é verdade mas não menos lindas des
ejando-se de momento, amando-se
prum momento futuro ardendo
momentaneamente de algo
que não se sabe o quê
a sobriedade, porém
mantém distante
o que perto
vive por
questão
de minutos de árvores de grades de vasos de gatos ou de tulipas