você que já veio e você que está

quarta-feira, 1 de junho de 2011

do antisonífero

O que há com as paixões de tão cadente
o que há com elas de tão latente
capaz de tornar qualquer ordinário
pássaro?
As mãos de ordinário, asas de pássaro
os lábios de ordinário, bico de pássaro
a prisão estática
a melancolia extrema
a profunda depressão
o desânimo imperativo
a alma marejada
de ordinário,
uma pena
rósea
de pássaro?
(o requinte das paixões é o silêncio
serem sofridas
vividas quieto -
sem calma, sem paz, sem lucidez
apenas o agito furioso
de uma insaciável tempestade)

terça-feira, 31 de maio de 2011

no último abraço quase nunca existem mãos/só garras

ah, mãos bonitas
ah, braços, costas, boca e mãos
que - sem saber pronde vão
os meus olhos cegos seguem -
só não me levem
a tornar-me dessas parasitas

no último abraço quase nunca existem mãos
só garras

proteções

para
de me ler em relevo
quando eu não posso mais
que rabiscar o teu nome

domingo, 29 de maio de 2011

falta de verde por, também, dalva

estou deitada na minha cama
comendo uma mini pizza de mussarela
da sadia
sadia é bom
mas não é sadia (tem gente que não bebe e está morrendo
então ok)
ouço how soon is now
penso em como eu amo essa música
penso que ainda estou com fome, mesmo depois da
mini pizza de mussarela
tenho certeza de que não é assim que se escreve
mussarela
mas vida que segue
hoje pensei em sid e nancy
essas histórias sempre me intrigam
além do quê, sid não sabia de nada
e só fez merda
nem baixo ele sabia tocar. mas tocava
por que me preocupo com isso é que
não sei

isso começou para ser uma poesia
mas já no primeiro desverso não foi
dessa forma
como a pipoca que fiz
depois de identificar restos de fome
ainda
dentro de mim

the smiths, eu penso, é bom demais

terça-feira, 10 de maio de 2011

padedê de 1

é uma futura decepção
uma ilusão que crio
puramente por estar no cio
e me sentir no chão

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Os covardes

Fodam-se os iludidos 
Os otários, os coitados
Que balbuciam palavras de outros 
Engolem-nas sem mastigar 
Cospem suas silabas tônicas 
Vomitam seus versos
E seguem sem compreendê-las

Malditos aqueles que se escondem sob a boa ou má capa de outros 
Covardemente protegendo-se do inevitável que é estar vivo -
A estes, o meu muito obrigada
Pego emprestado os seus restos de existência 
E talentosamente os teço em retalhos
Aumentando a minha em cem vezes mais 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Respiração

É incrível
você inspira,
a vida expira!