você que já veio e você que está

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=AbxgK_l3Apg&feature=related

hj não colei em lugar nenhum. fiquei em casa o dia inteiro e quando deu umas duas da manhã bateu uma puta vontade de tomar um sorvete. coloquei um sutiã, fui, alguma força me puxou pro outro lado do bairro, fui parar no mcdonald's, nada mal. pedi a minha promoção de mcfish com coca de sempre e trouxe naquela sacola parda pra viagem. 9 min no total. não tinha bolsos na minha calça, mas seria um bom passeio pra dar com as mãos nos bolsos. e assobiando. serviu pra dar umas bandas por aí. sentei o bumbum na cama e voltei a escrever a peça nova. tô lá pela décima quinta página e ainda não sei sobre o que é. prometo não descobrir. coloquei tom waits e meus dedos começaram a roquear feito crazy, eu diria sambar mas não é bem o que fazem, pra que mentir, eles roqueiam, é o q fazem, com tom waits. get behind the mule, vc teria alguma coisa a acrescentar a esta noite bárbara?, mcfish, tom waits e uma nova peça, e um ar condicionado, bem, eu entenderia se vc tivesse alguma coisa a acrescentar a esta noite. mas vc tb me entende, né, eu sei. me lembrei do meu NUMA FRIA do buk q tá emprestado, porra, eu odeio emprestá-los por isso, é como emprestar um filho, vc não empresta filhos, as pessoas pegam amor neles, não devolvem. e eu não sei cobrar, se numa entrevista me perguntassem NO QUE VOCÊ É PÉSSIMA eu diria EM COBRAR. bom, vou tentar passar por cima disso, pelo menos esta noite. de repente me deu uma saudade de são paulo. não de tudo, mas definitivamente da augusta, vou ter que me acostumar a não estar lá ouvindo um blues e montes de conversa de solidão. é, vou sentir falta da ladainha. vc é do tipo que vai achar q tô dando em cima de você se eu perguntar qualé o teu nome?, rapaz, s a i a da minha frente. lembro q num sábado távamos ali pela roosevelt e o linguinha disse, odeio ditados, é coisa de quem impõe, em vez de expor. achei bonito isso, mas me soou um bocado como um ditado. eu não quis tirá-lo do sério dizendo isso pra ele. e então ele se virou com sua perna de pau e foi saindo. boa ida, linguinha. tem tb aquele milho da roosevelt. q é uma delícia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

boas letras nunca deixam suas folhas de papel, ali podem ser insanas, e estar salvas.

olha, vc não é do tipo de garota que faz coisas horríveis com as pessoas e deixa todos os caras mal, é?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

meu andar olha pra baixo, tudo o mais é preço q pago.

acabou a realidade. de volta ao show.

seria bonitinho se vc abrisse um livrinho da claricelispector me lesse um poeminha e nós tomássemos um suco de uva com gotinhas de adoçante mas não somos bonitinhos, não lemos lispector, FAZEMOS poeminhas e vc não é adoçante, é pimenta, e não digo nem do reino.

aquele curioso momento em q vc descobre que outras pessoas também deixam músicas no repeat, e por dias, e vc até se sente redimido de alguma maneira.

tchau, estou tirando 05 anos pra dormir o que você não me deixou.

eu não esperava q vc deixasse qualquer tipo de solução na minha alma, mas tb não precisava levá-la embora, né.

tenho uma vigorosa imagem como recordação, ele de costas várias vezes na mesma janela, e depois em outras. mais umas semaninhas e eu poderia ter virado hostess dali. conheci todos os quartos daquela porra. passavam chave mas a gente dava um jeito. por um tempo chamei aquilo de realidade.

outro verão acabando eu continuo inverno.

a vidraçaria humana também entra em crise, catarata, miopia, paixão.

breve estaremos um diante do outro cada um com seu respectivo par de bolas de gude vibrantes marrons, sem saber o que dizer, dizendo um monte.

eu te amei, mas, espero q você entenda, não catolicamente.

sempre que descubro q não sou deus, isso me dói um pouco.

vamos assistir a um filme b, sentar e tomar um vinho e tratar de assuntos b e nos olhar um na carinha b do outro, só não vai ter b-jo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

spreading the joy

esta senhora semana me deu uma porrada com um cano de ferro bem em cima do crânio. duas pessoas que amo incondicionalmente foram parar em hospitais por motivos diferentes, uma do estômago a outra do coração, levaram consigo um pedaço de cada lado do meu sorriso, minha boca ficou só o meio, essa linha reta, apática, q não cho,ra nem ma,ma. elas estão bem, dizem os médicos, eu não fui a nenhum dos dois hospitais. a primeira pessoa foge de si e de mim e uma hora a gente acaba cansando desse tipo de gatoerato e é aí q a gente vai e se afasta, ela gosta de mim eu gosto dela mas é complicado, eu não vou até lá justamente pq não me quer por perto; a segunda, tinha três semanas q não me procurava e resolvi fazer a mesma coisa, do nada aparece no chat do facebook pra me avisar q tá deitadinha numa UTI, e eles não me deixam entrar lá, e ela não pode atender telefonemas nem nada. estou aqui, mãosepés atados enquanto dois pouquinhos de mim morrem lá e ali, pela primeira vez na vida tenho vontade de ter superpoderes, que coisa escrota de se falar mas é verdade, e sei lá. minha avó lygia ligou e ela nunca entende quando eu digo que não posso falar, então eu simplesmente falo, vó uma grande amiga acaba de ter um enfarte, entre outras coisas, eu poderia te ligar mais tarde?, mas é claro q aí é que não dá pra desligar. resolvi num ímpeto, ou seja mais 1 seg eu não faço, pegar o celular e discar o número da primeira pessoa. do lado de lá a voz não me disse coisas q eu adoraria ouvir mas disse outras até legais. do lado de cá eu ia mirrando morrendo mirrando morrendo, e vezenquando umas risadas tropeças, abafadas, uma coisa meio masoquista, um esquema meio esquisito de continuar querendo escutar um timbre q não diz mais a que veio, até pq não tem vindo. então simplesmente encerrei o assunto, com o coração digamos amarrotado, digamos gritante, digamos emagrecido. quanto à segunda, eu disse que iria visitá-la amanhã, e ela me respondeu que apenas 4 pessoas poderiam entrar no quarto, e já tinha bastante gente pra ir. e que dessa bastante gente ela não abria mão de uns 2, q não me incluíam. disse um singelo ok, pq pessoas q acabaram de enfartar não podem sofrer grandes emoções, e se eu fosse dizer pra ela tudo o q ficou preso nos meus dedos naquela hora, bem. poderia atrasar a sua alta. e nós não queremos isso. não sei se vou. o fato é q a gente acaba desenvolvendo um amor bruto e repentinamente imenso pelas pessoas q adoecem. eu não sei de onde emerge tanta humanidade. e algumas delas conseguem pisar na gente mesmo deitadas, engraçado, nunca tentei nessa posição.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

tava numas de começar a vida e ganhar o próprio dinheiro e tal e fui trabalhar naquela merda de salão de beleza, recepcionista. fui avisada sobre o tipo de roupa que eu deveria vestir, pretas, brancas ou pretoebrancas. virava as minhas camisetas de rock ao avesso. um poquinho só de maquiagem. chegar às nove, mas às oito e meia o telefone já estava tocando e "não tinha ninguém lá pra atender, dona Luciana", e então eu tinha que dar um jeito qualquer. no começo era até bem legal, eu me sentava lá e observava as pessoas, observava muito as pessoas, me convencendo de que aquilo poderia ser uma espécie de "laboratório" para o que eu realmente faço da vida, que é subir num palco e de fato ser essas outras pessoas. eu chegava lá e ficava sentada naquele banquinho giratório que não tinha encosto, e lá pra uma da tarde as minhas costas já estavam gritando comigo mais alto que a dona Luciana. não, a dona Luciana não gritava comigo, Yasmin, como vc é bonita, como vc é comunicativa, como vc é inteligente, e as coisas q vc fala são tão legais, e você escreve, também. vc poderia ficar aqui pra sempre. hahaha. e tão talentosa. eles deixavam sintonizado na MixFM ou alguma outra merda do tipo, eu não me lembro bem. sempre que a dona Luciana saía, eu conectava o meu iPod. ramones, sex pistols, clash, queens of the stone age, strokes, joy division, smiths, um salão de beleza no leblon, bem, hoje eu vejo o absurdo disso. foi rápido praquele lugar se tornar o rascunho do inferno pra mim. era uma época sofrida, apaixonada, eu fechava os olhos e ouvia as minhas músicas, as mesmas q eu tinha ouvido perto daquele cara, e agora eu tava presa naquele lugar escroto com a única grande ambição de que o telefone não tocasse. mas tudo bem, eu pensava no final do mês e no que aquilo significaria pra mim. os começos podem não ser tão bemvindos mas são sempre necessários. as bonequinhas logo começavam a reclamar das minhas músicas, mas elas faziam isso à lá judas, sorriam para mim e me davam um tchauzinho e só depois eu recebia telefonemas da dona Luciana dizendo que eu já sabia que não podia tirar da MixFM ou qualquer outra porra daquelas. mas eu tornava a fazer, torcendo para q todas estivessem mais preocupadas com as revistas de fofocas e as fofocas sobre as revistas e me deixassem em paz com a única coisa ali que poderia me deixar em paz, as minhas músicas. só que as reclamações não pararam, e por causa delas comecei a ouvir o iPod com fone de ouvido, de modo q não dava pra ouvir o telefone tocar. e quando ouvia, o combinado era que devia deixar 30min para as mãos e 45 para os pés e, para pés e mãos, uma hora e meia. eu não fazia certo, embolava tudo, mas qual o sentido disso? não conseguia entender. acho que eu era uma péssima funcionária no final das contas, parece que aquilo também me doeu. um dia cheguei lá e um ônibus tinha passado em cima da cabeça de uma velhinha na esquina da bartolomeu mitre. era ali do lado. todo mundo foi lá ver o sangue e com sorte um pouco de carne e órgãos, mas eu fiquei girando de um lado pro outro no meu banquinho e pensando, talvez aquela ali também não estivesse aguentando mais. uma meia hora depois veio a dona Luciana. fazia dias que ela não aparecia no salão e eu tava até começando a me acostumar com aquele tipo de solidão. ela agachou na minha altura e começou de maneira sutil, perguntando se tava tudo bem, eu disse q sim, q estava tudo bem e perguntei por quê, ela disse que achava q não estava tudo bem e aí começou a falar sobre como eu era uma péssima funcionária, mas ela fazia isso à lá judas, dizendo Yasmin, vc é tão bonita, vc é tão comunicativa, vc é tão inteligente, e as coisas q vc fala são tão legais, e você escreve, também, e tão talentosa!, sem nunca ter visto uma porra de peça q eu tenha participado, como ela poderia saber?. isso aqui não é pra vc. eu me levantei frágil e disse coisas horríveis, ela ficou muito muito puta, e eu corri pra ver o cadáver na rua. mas depois, pensando sobre isso sentada na minha cadeira que não se mexe PQ ESCOLHI PARA O MEU QUARTO UMA CADEIRA QUE NÃO SE MEXE, eu me levantei triunfal e pensei, é, essa mulher sabe das coisas.
pq eu não esqueço que vc já existiu?

tenho certeza de que em outra vida com algum otimismo já na próxima seremos duas pessoas felizes q até estarão juntas.

esta roupa suja eu só poderia lavar no tanque da tua casa, mas nem lá vc me deixa entrar, e eu te deixaria entrar na minha, e em mim.

sim, eu estaria feliz, não, eu não estaria feliz, talvez, talvez eu estivesse feliz, sei lá, eu decerto estaria quente. nós decerto estaríamos.

a noite passa nos meus olhos não consigo pregá-los.

previsão de chuva e maré alta para hoje nos meus olhos.

tempestuoso frio amarelo sórdido mesmo bom tá bom, mas seja di verdade, tente não morrer e qm sabe em outra vida a gente não,?.
sinto muito esta dor.
dor q se parece com a tua cara.
tua cara um pedido de s.o.s q se ignora.
um pedido de s.o.s q só se vê no fundo da gaRRafa.
gaRRafa falsa q me te afasta.
me te afasta me te reúne.
reúne brutos os sexos em ideia.
ideia dos campos o mais sórdido;
impalpável impávido campo árido;
impalpável impávido campo árdio;
impalpável impávido campo ó(r)di(d)o.