Meu caminho é todo de alguém que não sou eu
É todo cheio de enfeites que eu não pus
Tem flores que eu não plantei
E regras a que eu me opus
E rendas que eu não bordei
Poemas que eu não escrevi
É cheio de verdade infeliz
Harém de desamor desvalido
Musicado com o que eu desconheço
Gente que mesmo eu desmereço
Tem cheiro de derrota prevista
Tem cheiro de perfume de outrem
Tem os olhos azuis de outro alguém
Que não os meus pois castanhos são
Mas ninguém quis saber e então
Atei-me a essa vida ruim
De frase feita e pobre canção
Mirandolina e seu arlequim
Que juntos não se entendem em vão
Se amam se prezam assim
Mesmo eu aqui parada pra ti
Tu não me vais olhar porque lá
Ao lado teu a amada está
E volto eu a ser quem eu sou
Alguém que de repente eu não sou
Alguém que num repente eu virei
Alguém de quem não adianta o amor
A quem ou ao que
Vive distante
você que já veio e você que está
segunda-feira, 6 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Vazio
Tudo aqui é o vazio
E o vazio me corrói
Me maltrata
Me avassala
E se vai deixando rastro
Em mim
Rastro sem fim
Rastro que fere
Que me enlouquece
Vazio de males
Vazio de bens vazio qualquer
Vazio de tudo
Vazio
de ti
em
Mim
Ainda bem que o vazio me dói menos
Do que o cheio cheio de tristeza
E o vazio me corrói
Me maltrata
Me avassala
E se vai deixando rastro
Em mim
Rastro sem fim
Rastro que fere
Que me enlouquece
Vazio de males
Vazio de bens vazio qualquer
Vazio de tudo
Vazio
de ti
em
Mim
Ainda bem que o vazio me dói menos
Do que o cheio cheio de tristeza
segunda-feira, 30 de março de 2009
Mais
Tudo isso é mar demais para mim
Ou serei eu mar demais para tudo isso?
Ou serei eu mais demar para ido tusso?
Obs.: (Se eu tivesse ido,
Imagina se me afogo
E tusso?)
Ou serei eu mar demais para tudo isso?
Ou serei eu mais demar para ido tusso?
Obs.: (Se eu tivesse ido,
Imagina se me afogo
E tusso?)
MORRI!
MORRI!
Agora que morri, me queres?
Agora desejas-me de novo?
Agora que sabes nunca mais poder
Ter-me
Queres que eu volte?
Agora queres voltar?
Queres agora me amar,
Beijar-me
Ter-me
Ter-me
Que eu te tenha?
Agora sofres?
Finalmente agora sofres?
E choras?
(Queria tanto ver-te chorando...)
Agora, se pudesses, tu ligarias
Para ouvir por um segundo
Minha voz?
Correrias na chuva atrás de mim
Como eu por ti fiz tantas noites?
Agora é que vês
Que sem mim tua vida não é vida
E minha morte é tua morte um pouco
Agora sentas-te e sentes-te louco
De pavor
Pois hoje não me verás
E não na semana que vem
Pois semana que vem não há?
Agora que morri,
Te vais matar?
Agora que morreste,
Vivo de volta eu.
Agora que morri, me queres?
Agora desejas-me de novo?
Agora que sabes nunca mais poder
Ter-me
Queres que eu volte?
Agora queres voltar?
Queres agora me amar,
Beijar-me
Ter-me
Ter-me
Que eu te tenha?
Agora sofres?
Finalmente agora sofres?
E choras?
(Queria tanto ver-te chorando...)
Agora, se pudesses, tu ligarias
Para ouvir por um segundo
Minha voz?
Correrias na chuva atrás de mim
Como eu por ti fiz tantas noites?
Agora é que vês
Que sem mim tua vida não é vida
E minha morte é tua morte um pouco
Agora sentas-te e sentes-te louco
De pavor
Pois hoje não me verás
E não na semana que vem
Pois semana que vem não há?
Agora que morri,
Te vais matar?
Agora que morreste,
Vivo de volta eu.
Madrugada
Te amei entrecoqueiros
Dianoite noitedia
Clareava escurecia
Os suspiros derradeiros
Morte Morte Amor
amor morte
Amorte
Somos os
Somos primeiros
Dianoite noitedia
Clareava escurecia
Os suspiros derradeiros
Morte Morte Amor
amor morte
Amorte
Somos os
Somos primeiros
quinta-feira, 26 de março de 2009
Dama de negro
Teus braços na dama de negro
Na dama de negro não em mim
A dama usava o cabelo
De um jeito arrumado puxado para trás
Num coque bem preso
Teus braços teus olhos o teu coração
Na dama de negro na dama de negro
O vestido durava até os pés
Minha vista acompanhava o tecido ao fim
E no fim
Lá tu estavas
De ombros curvados
Beijando os sapatos
Da dama de negro em vez de a mim
A dama de negro a dama de negro
O doma de negro o toma
Na dama de negro não em mim
A dama usava o cabelo
De um jeito arrumado puxado para trás
Num coque bem preso
Teus braços teus olhos o teu coração
Na dama de negro na dama de negro
O vestido durava até os pés
Minha vista acompanhava o tecido ao fim
E no fim
Lá tu estavas
De ombros curvados
Beijando os sapatos
Da dama de negro em vez de a mim
A dama de negro a dama de negro
O doma de negro o toma
para si
sábado, 21 de março de 2009
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