você que já veio e você que está

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

dois hambúrgueres tomate queijo molho especial, um pouco de café q nunca esfrie, meninotes de patins q não derrapem nas rampas, open bar à lá vontê, um livro com tantas páginas quantos os dias da vida, paixões sadias, uma verdade que se queira escutar, trilha sonora espontânea para cada situação, porte legalizado de bazooka, cebola picles em um pão com gergelim.
não passava de uma fêmea comum, daquelas q engordam com doce, cagam pra futebol e blasfemam outras fêmeas.  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

sobre casais dos quais não faço parte e sorvetes moles, e corações

estou lendo crônica de um amor louco e ela parece ser ariana e a conta chega e eles a dividem. ela passa 40 no crédito e ele debita o que sobra. é um garoto bem bonito, e ela parece uma dessas loiras de big brother que  mostram a bunda numa dessas revistas. meninos com suas namoradas. o que sinto agora fica em algum lugar do outro lado da felicidade, pensei. sem aquela garota ali eu poderia jurar que se trata de um viado, mas não era, não era nada viado. o garçom olha pra mim coaquela cara obsessiva, me comendo com os olhos, e não é porque garçons são criaturas atenciosas, e eu bem que gostaria de dizer olha, cara, você não vai conseguir nada por aqui, e ele insiste e dura horas servindo aquele copo d'água numa languidez que eu não veria numa tartaruga, e eu olho pra baixo. a menina cruza o olhar no meu com algo que parece ser ciúme. e eu sigo olhando de rabo de olho. eu daria praquele cara. mas aí a gente acordaria e ele diria bom dia e tudo daria errado depois de então. eu de certa forma até gosto desse lugar de observadora-passiva-analítica. veja bem, eu não estou envolvida. ele pode olhar pra qualquer bunda ou comer várias bocetas e tá tudo bem porque eu nunca vou ter nada com isso, eu simplesmente não estou envolvida, não é maravilhoso?, mas também não estou lá quando ele chega no apartamento louco pra se deitar na cama e recostar a cabeça sobre um peito e braços quentes e discutir kerouac ou dizer que se sente mal. bem, é o preço que se paga. um casal passa rapidamente por mim, eu adoro escutar fragmentos de conversas dos outros, "e o que mais você gosta de fazer além de tirar fotos?", and the man com aquela cara de vontade louca de disparar a falar de si. acho que esse é o grande barato de todo o lance, afinal. "tirar fotos", pensei. fosse eu a fotógrafa, consideraria aquilo uma ofensa. quer dizer, você não pergunta para um tenista o que ele gosta de fazer além de dar com a raquete na bolinha, nem nada do tipo. os dois na minha frente se levantam e vão. o restaurante tem uma cliente só, e então um novo cara, que se senta na minha diagonal esquerda, usa uma daquelas bolsas à tira colo que homens carregam sem parecerem bichas, pelo menos não por isso, uma calça jeans e camisa e sapatos sociais, e não me olha nem por um segundo. é como se eu não existisse. é como se o lugar estivesse cheio. é como se eu fosse aquele garçom olhando pra mim. não é como se eu me incomodasse com isso, mas não é verdade que é esquisito só ter uma alma além da sua num restaurante e você ignorar essa presença solenemente? é claro que é. decido pedir um tempura de sorvete, o garçom diz ok, e um bom tempo, pense em 15 minutos, se passa, e o garçom retorna dizendo que  o sorvete está mole demais para ser servido. é, o meu coração também está mole demais pra sair na rua e ele sai todos os dias e não tem nada que eu possa fazer à respeito disso, me veja o sorvete assim mesmo. não, não é possível retirar o sorvete do congelador agora, bem,
então
vá se foder,
por que você não
me disse
isso
15 minutos
atrás?, então me veja o diabo da conta. e a conta chega e eu pago e vou embora, pensando, pelo menos não gastei aqueles 13 reais a mais, e nem tenho que me importar com nenhum cara querendo comer nenhuma boceta.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

vc riscou as rubricas todas - alegre; excitada; com emoção - da minha personagem na nossa historinha.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

mindinho anelar médio indicador polegar uma caneta e um bando de poeminha fajuto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

tiros nas costas

porra triste pra caralho pensar
que nunca mais se vai ver o sorriso de alguém
o último contato com aquele ser os teus olhos
batendo naquelas costas e voltando para o
único possível lugar, si mesmos
foda essa sensação de nuncamais
um nuncamais a vera, que se banca
ainda mais se o que se quer mesmo é
chamar a atenção daquelas costas
você pegaria um revólver nessa hora
e daria tiros naquelas costas
tiros por um pouco de atenção
como mãos desesperadas que correm
na direção de cabelos que precisam de corte
e os pegam com firmeza e os puxam pra
trás numa violência que só quem
ama pra caralho pode conhecer
mas que no final só repousam no lugar das
próprias olheiras tentando reter o máximo
possível de lágrimas à favor de uma
cara que quer parecer ok
e então pés que se retiram um-a-um
numas de finalmente ir
um andar pesado como aqueles de
prisioneiros de bolas de ferro nos
tornozelos
tudo isso depois do último abraço e beijos
restos de cadáveres misturados a cimento
na muralha da china
você não sabe como eu me sinto
40 pombos brigando por farelo de
polvilho
você não sabe como eu
me sinto
uma egípcia tentando pedir
socorro em alemão
você não sabe como eu me sinto
envelhecer com a certeza
de que pelo menos conheci a violência
de quem um dia na vida amou pra caralho.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

adeus dará

você acha que é assim beibe?, vamos ser honestos por aqui
não tem nenhum pedaço dessa 
merda que seja piquenique 
às três da tarde no jardim botânico ou bolinhas de 
gude no chão da sala - tava muito mais 
prum vôo de asa delta sobre são conrado ou 
um sr. e sra. smith
ou um piercing no mamilo ou
uma tatuagem de 
caveira

vamos ser honestos por aqui, honey
não tem nenhum pedaço dessa 
merda que seja vamos passear no bosque
enquanto seu lobo não 
vem - 
(tava muito menos pruns beatles
que prum 
portishead)
- talvez a calcinha 
vermelha permanecesse

vamos ser sinceros por aqui, love
tem uma cerveja esquentando 
na sua mão
tem um cigarro chegando 
na ponta, na sua mão
e você não bebe nem 
fuma

então fica assim, beibe
coisas que a gente tapa
tipo o sol com a
peneira
coisas que a gente abafa, tipo, hum,
tipo Por Bem 

hahahahahahahahaha,
hahaha,
ha. ha ha. 

só acaba quando termina, doce
dez pras seis não são seis 
horas já dizia o 
meu velho nos jogos
do flamengo e

estes
- lhe apresento -
são 
uns versinhos impossíveis 
como você e eu
e eles dizem olá, 
e, logo,  
até.