você que já veio e você que está

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

garotos

teve o Guilherme. Guilherme e eu estudávamos na Chave do Tamanho e, aos quatro anos, começamos a namorar. nos beijávamos mas não andávamos de mãos dadas, eu não queria me expor.

teve o João Guilherme no jardim 3. João Guilherme era grunge, e eu gostava do João Guilherme. João Guilherme bateu sete vezes a cabeça na parede ao receber mais uma péssima nota em uma prova de ciências sociais. eu achei aquilo heroico e também excitante. Thais ou Carolinie, alguma delas, me perguntou de quem eu estava afim. desenhei-lhe a pilô um coração na mão esquerda e dentro dele as iniciais J.G. em breve todos estavam sabendo, mas estou certa de que não foi fofoca barata de minhas colegas, e sim a maneira indiscreta com que eu suspirava cada vez que olhava para ele.

depois, no C.A., teve o Frederico. a mãe do Frederico sabia que eu amava o Frederico, Cynthia, a professora de inglês, sabia que eu amava o Frederico, o papagaio da casa do meu pai repetia FREDERICO FREDERICO FREDERICO. acho que nunca fui boa em me preservar. um dia Frederico me pegou no colo e me rodopiou na sala de aula. meu dente, que estava mole, caiu.

teve o Gabriel, na terceira série. Gabriel tinha cabelos pretos e olhos azuis, era um príncipe autenticado, nada me convenceria do contrário. todas as minhas amigas também gostavam de Gabriel, mas era de mim que ele gostava. mas nunca ficamos juntos. mas nos gostávamos.

o resto eu não posso falar porque estão todos no meu face.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Aparelhagem

Felizmente não há tempo
De ceder a nenhuma angústia
É preciso força para o insuperável
Quando o fatídico destino aponta
As suas armas 
Para as nossas cabeças.

Não tenho pretensões de avanços magníficos
Por causa de nenhum copo de saquê
Ou de flores no caminho 
Apenas sei da necessidade
Do olhar esquivo 
Do peito vazio
Que apesar de ou por isso
Continua palpitando

Sempre haverá alguém 
A jamais querer participar 
Da sua felicidade.

domingo, 23 de junho de 2013

lágrimas no escuro

venha depressa
não vamos olhar para os lados, meu bem, deixe
que os lados olhem pra
gente

me dê a mão
vamos cair fora daqui o quanto
antes

não seja bobo
é claro que te amo
eu só sou jovem demais e
me quero livre demais
para sair gritando uma
coisa dessas

talvez pelo perigo que corro te amando
te amar seja mesmo uma questão de honra

talvez eu chore se nos falarmos ao telefone
mas no fundo eu sou a mesma
a que te quer livre vestido de azul
colocando sonhos vermelhos em
prática

talvez eu chore se não nos falarmos ao
telefone
mas você nunca saberá
porque nem sempre se vê
lágrimas no escuro




segunda-feira, 29 de abril de 2013

DO NOT


palavra que diz

toda palavra que diz
faz cócegas em meus tímpanos
e te imagino debaixo dos panos
a cada palavra que diz.
hoje não te retorno.
posso me lembrar de cinco ou seis tardes
em que retornaria.
enquanto o Vento
jogava para lá
e para cá os cabelos
dos que se Aventuravam -
e eu nuvem-negra -
tomando cinco ou seis
chás de cadeira.
cansada disto.
de saber isto.
de viver nisto.
de comer