você que já veio e você que está

quinta-feira, 18 de março de 2010

Poesia Rodrigueana

A poesia rodrigueana é suja
Tudo quanto é rodrigueano é tão sujo e tão podre que
Fascinante. É poesia de rua
Poesia que não passa perfume
Que não se arruma
É poesia rude chula linda
Poesia cuspida pisada escarrada
Encantadoramente nojenta
Aleatoriamente específica
Especificamente a mim
Toca
Masturba-me o cérebro
Inspira-me tanta poesia! e tão feia
Quão feio pode ser aquilo que
Os olhos delicados de quem lê
Crêem belo?
A poesia rodrigueana é poesia de puta e cafetão
Madonna Jesus rei Momo polícia ladrão
É poesia de se falar arrotando
De se ouvir sonhando
Mais do que mil Nelsons;
Poesia Arruda

*www.doomsdayhocuspocus.blogspot.com, para os que se sentirem curiosos sobre a nova Rodrigueanidade

domingo, 14 de março de 2010

Coisas

Tem coisas que arrasam e tem coisas que de tanto encher vazam; tem as que equanto emergem ferem e as que quando acabam doem; as que quando estão vão são as piores.

segunda-feira, 8 de março de 2010

À Clarice Lispector

Será, Clarice? Que as meninas de coração – mulheres de corpo e de cabeça loucas, independente do sexo e da idade – se de seus romances esquecerem serão quem são de verdade?
Tu à Marília de três séculos atrás alegaste: esquece o Dirceu que esperas. Colhe de teu pranto um manto e te seca. Não é, porém, frio o teu pensamento? Feminista, fêmeo, férreo?
Quem dera quem amasse fosse pastor de suas sensações. Ao contrário. Sua'lma não acolhe calma; é chama em constante brasa e cheia de lágrimas e cheia de mágoas e cheia de vícios e obsessões a fio. Quem não, rio (levado pelas águas para um sempre tão nada quanto o que não se quer conhecer). Não, Clarice. Não diga à pobre que esqueça. Não diga que envelheça sem a esperança que alimenta: alimentar a esperança não a desmembra, alimenta-a. E desse sonho poderão nascer outros, poderão, aos poucos, surgir flores amareladas de tempo, que serão guardadas numa gaveta. Não diga, Clarice, a ela que esqueça. Não diga a ela que esqueça. E não esquece também.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Qualquer coisa pra um louco. De outro.

Ai, esse cara tem me consumido! Esperando a tua volta eu canto, eu danço - mesmo aquelas coisas que não dançava desde a década de noventa, quando eu era tão cedo uma bailarininha -, eu prego que vou estudar mais esse ano e que não vou sentir saudade. Mas quando mais que saudade é falta que você faz, como se procede? Eu sigo pra lá e pra cá os passos que as vinte e quatro horas de cada dia me obrigam a seguir e me canso (de estar aqui sentada numa pedra aguardando uma coisa que talvez não chegue porque talvez o tempo não se mexa, as horas não passem e tal. Esse é o meu maior medo, virar uma estátua). O vento é um saco. Eu peço e ele continua não ventando, não sei se é o fuso. Aí deve ventar. Se você o vir por aí, faça o favor de cobrar a minha encomenda... eu te espero eu te espero eu te espero mas até quando o balanço da saudade vai ser mais langoroso do que a onde que o mar trouxe só porque você não está? Você foi procurá-la no outro lado do mundo e eu aqui, te procurando... te amando sempre, te amando e como. Desejando cada partícula da felicidade que o teu ser me traz enquanto em mim, enquanto aqui. Perto é um negócio necessário. E amor é um é dois, é três, mas, assim, só esse.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Que Seja (Para a Sua Volta)

Eu faria um soneto para a sua volta
Se soubesse quantas linhas um soneto tem
Se precisa ou não rimar
E se tem que ser belo

Então aí vai o que sei
Ou o que sinto
Ou o que vai, sendo o que seja:

O Que Seja (Para a Sua Volta):

Ter-te é a solicitação que a minha calma
Faz para existir
O alimento da minha alma enquanto
Em pranto sente a tua falta
Afago com meus punhos cheios d’água
Os olhos cheios d’água
A mente amarga
O peito em chama
Minha voz clama
Pelo doce da tua
E nua paro em frente a mim
No espelho e espio o só
Que sou
Quando estás
Longe

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Verdade, Crua Como Um Salmão

A rima é a sina
do verso que versa
o rimante
uns buscam no mundo
chama nos livros
poema nas novelas
trama nos botões
fecho nas boutiques
damas nos pés
eixo outros findam
dias e fundam
noites em um e outro (3X)
shot e - cama
imagine que o amor
sobre quem tanto se leu
e por conseguinte sobre
quem tanto se escreveu
inda não aprendeu e
continua sacaneando -
a linha não existe
senão para ser
possessivamente construtiva
ao passo que o
valor das coisas está
basicamente
em quantas vezes você
desceu para o play
para tricotar o seu vizinho
e é isso aí

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

o homem grosso

o homem grosso
é o homem insosso
depois que botam
um pouquinho de sal pro churrasco.