É com letras póstumas, não de Brás nem de cubanos
Menos engomadas que as de parnasianos
Menos retilíneas que as de cartesianos
Que surgem poemas dessas mãos, levianos
Doidamente a mim me engano
Despudoradamente explano
Que entra ano sai ano entra ano,
O corpo meu inda’rde por um mesmo fulano
Do trapo de teu adeus fiz pano
Do barulho notas de piano
Rio seco do que de lágrimas fora oceano
E sorriso brotou desse rosto profano
(como que jasmim)
Foi com armas como as de veterano
Amou-me aos detalhes como que por plano
Sondou-me qual paisano
Esbanjador vaidoso dum ar urbano
Quis cair no mundo; provinciano
Queira não cair do mundo pois há dano
De minha sempre morenice eterno soberano
De minha doce meninice diabo samaritano.
(É teu nome bom para rimar.
Nunca me foi desafio.)
você que já veio e você que está
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
Do razo de todo ser
De voltas e voltas que dei
sei é que de livros que li, pessoas que amei
peguei para mim um pequeno bocado
de lições que compartilho com quem
se dispõe cá e lá, calado
a escutar
o que fiquei loucamente afim de espalhar, depois que primeiramente percebi:
como a gente é pequeno!
diante da infinidade das coisas, boas ou más
diante da divindade, existente ela ou não
diante dos outros, diante um do outro
e como a gente é otário!
na frente do homem seu ego, na frente deste, nada
muros, castelos se cria
a si próprio recria-se para o gozar de si próprio
e o quão tolo é pensar na mesquinharia que são os nossos achares?
no que se baseiam os nossos quereres? na pequenez
de nós mesmos, em corpos de gigantes, quer parecer às formigas
mas idiotizados pelos céus, sacaneados pelos anjos.
feliz do dia em que houver alguém que acorde e não se olhe no espelho.
até lá, somos escravos.
sei é que de livros que li, pessoas que amei
peguei para mim um pequeno bocado
de lições que compartilho com quem
se dispõe cá e lá, calado
a escutar
o que fiquei loucamente afim de espalhar, depois que primeiramente percebi:
como a gente é pequeno!
diante da infinidade das coisas, boas ou más
diante da divindade, existente ela ou não
diante dos outros, diante um do outro
e como a gente é otário!
na frente do homem seu ego, na frente deste, nada
muros, castelos se cria
a si próprio recria-se para o gozar de si próprio
e o quão tolo é pensar na mesquinharia que são os nossos achares?
no que se baseiam os nossos quereres? na pequenez
de nós mesmos, em corpos de gigantes, quer parecer às formigas
mas idiotizados pelos céus, sacaneados pelos anjos.
feliz do dia em que houver alguém que acorde e não se olhe no espelho.
até lá, somos escravos.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Peter Pan do mau, a sombra, o vento ruim
Ai, sai daqui com teus trapos, memória infertil. Larga-me ao meu vicio de esquecer-me, afugenta-te, entende que estou dolorida e vou morrer de amor. Va-se! Morte como esta não satisfaz, adia, só. Foge de mim enquanto ainda estou jogada no chão e não posso correr. Que jogo esse que jogamos conosco mesmos, perecível divindade. Tudo o que resta sempre e igual - o marmore e o mau. Tudo fruto de apedrejamentos e apodrecimentos das tonturas boas em conserva, faltaram especiarias. O ser docificado e maior do que todos os seres, ao menos em simbolo, gasta sua imagem. Deixa que durma, asa ruim, criação nefasta, imagem distorcida, mentira de mel. E vai dormir também, para que, mais tarde, eu te desperte. Ou alguém te desperte em mim.
domingo, 1 de agosto de 2010
Uma música clássica quase mudou minha concepção
perdi o sinal
isso foi a coisa mais triste que já me aconteceu em vida
corri desesperada
mas, nada
mais nada! correr é tolo
quase como dizer 'quando perde-se'
quando o certo é dizer
'quando se perde'
tolinho, tolinho
nextel é foda
correr é erro de português
é erro de inglês, erro de retorno
quase como quando há eco
e não se consegue dizer 'oi'
sem que volte 'oi'
e assim se fica para sempre
'oi'
'oi'
'oi'
'oi'
conversa circularmente tolinha
então repete-se sempre a mesma história
com a mesma Soraia e o mesmo lucas com 'l' minúsculo
de sempre
Soraia, modelo de biquinis da estação, lucas com 'l' minúsculo, o bosta de seu namorado
isso era para ser uma poesia que era para ter nexo
mas que resolveu seguir o curso poético
- formei-me no curso de inglês no final do ano passado, o que foi ótimo, mas ainda não peguei o meu diploma, será que eles ainda têm? -
das poesias em geral, perdendo qualquer sentido
tiraram uma placa que dizia 'direita',
o que mudou tudo.
mudou tudo, tudo, tudo...
isso foi a coisa mais triste que já me aconteceu em vida
corri desesperada
mas, nada
mais nada! correr é tolo
quase como dizer 'quando perde-se'
quando o certo é dizer
'quando se perde'
tolinho, tolinho
nextel é foda
correr é erro de português
é erro de inglês, erro de retorno
quase como quando há eco
e não se consegue dizer 'oi'
sem que volte 'oi'
e assim se fica para sempre
'oi'
'oi'
'oi'
'oi'
conversa circularmente tolinha
então repete-se sempre a mesma história
com a mesma Soraia e o mesmo lucas com 'l' minúsculo
de sempre
Soraia, modelo de biquinis da estação, lucas com 'l' minúsculo, o bosta de seu namorado
isso era para ser uma poesia que era para ter nexo
mas que resolveu seguir o curso poético
- formei-me no curso de inglês no final do ano passado, o que foi ótimo, mas ainda não peguei o meu diploma, será que eles ainda têm? -
das poesias em geral, perdendo qualquer sentido
tiraram uma placa que dizia 'direita',
o que mudou tudo.
mudou tudo, tudo, tudo...
quarta-feira, 28 de julho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Dona de casa que toma bolinha
quando se está de frente prum abismo de doces é
assim que se sente, né? henrique
cido
e quantos risos que já não cabem no inter e no exter
histéricos de tanto salivar bucólicas bochechas a expre
mer-se em concavidades? tantos
e quantos quantos deus quantos pontos de excla
mação poderia eu e deveria até utilizar nesse samba
estridente que canto ou excre
to? tudo faz parte de um sinistro expe
rimento em que sangram álibes fúnebres excre
mentos e penteiam os cabelos dos anjos, espec
tros?
tudo resulta duma viagem astral menos íntegra do que integral
mente ác
ida
assim que se sente, né? henrique
cido
e quantos risos que já não cabem no inter e no exter
histéricos de tanto salivar bucólicas bochechas a expre
mer-se em concavidades? tantos
e quantos quantos deus quantos pontos de excla
mação poderia eu e deveria até utilizar nesse samba
estridente que canto ou excre
to? tudo faz parte de um sinistro expe
rimento em que sangram álibes fúnebres excre
mentos e penteiam os cabelos dos anjos, espec
tros?
tudo resulta duma viagem astral menos íntegra do que integral
mente ác
ida
sábado, 8 de maio de 2010
Primeiras Navegações
Ai, Deus! Como eu
chorei!
Foi tanto
que fiz viagem de navio
no próprio rio
de meu pranto
- voltei nova!
chorei!
Foi tanto
que fiz viagem de navio
no próprio rio
de meu pranto
- voltei nova!
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