você que já veio e você que está

domingo, 5 de junho de 2011

don't sit down cause i've moved your chair

eu não sou domadora de circo
então quero que te fodas tu
que me dizes – tens que controlar a tua paixão
eu não sou domadora de circo
para podar leões como o que me cresce agora [por dentro]
eu sou só uma pessoa que quer ter o direito de
não ter 1) a capacidade; 2) o poder; 3) a vontade
de se punir pelo que possivelmente sente
controla-te tu, ora, cacete, sê menos apaixonante

e tanta merda dizes, ó, doçura
tanta merda fazes
que me confundes – às vezes parece que perco
a noção da hora, quando reparo
já é cedo do outro dia...

acho que é paixão
quando perco minutos
escrevendo uma poesia
e eles parecem horas

it could be nice
but instead
it’s ice

quinta-feira, 2 de junho de 2011

centro da cidade ou corriqueirices, deusinho e fenomenalmente, palavras que inventei muito mais por querer inventá-las do que por falta das adequadas

Tenho andado pelas ruas do centro da cidade
e me surpreende que nada de muito engraçado aconteça nesse entreato
quando soube que andaria com frequência pelas ruas do centro da cidade
pensei que muita coisa engraçada aconteceria

por ex., não vi nenhum homem sobre pernas de pau
ou o rapa lavando toda a mercadoria
vi corriqueirices, nada de especial
então agora estou entrando em profunda depressão

alguém tem que fazer alguma coisa de muito engraçado
no centro da cidade amanhã à tarde
porque senão acabarei definhando de desilusão
oh, de falta de fé e de desilusão

fica assim combinado, meu deusinho,
caminharei preparada para armar um sorriso
porque tenho agora a certeza de que o senhor vai me por
uma coisa fenomenalmente cômica no meio do caminho

quarta-feira, 1 de junho de 2011

do antisonífero

O que há com as paixões de tão cadente
o que há com elas de tão latente
capaz de tornar qualquer ordinário
pássaro?
As mãos de ordinário, asas de pássaro
os lábios de ordinário, bico de pássaro
a prisão estática
a melancolia extrema
a profunda depressão
o desânimo imperativo
a alma marejada
de ordinário,
uma pena
rósea
de pássaro?
(o requinte das paixões é o silêncio
serem sofridas
vividas quieto -
sem calma, sem paz, sem lucidez
apenas o agito furioso
de uma insaciável tempestade)

terça-feira, 31 de maio de 2011

no último abraço quase nunca existem mãos/só garras

ah, mãos bonitas
ah, braços, costas, boca e mãos
que - sem saber pronde vão
os meus olhos cegos seguem -
só não me levem
a tornar-me dessas parasitas

no último abraço quase nunca existem mãos
só garras

proteções

para
de me ler em relevo
quando eu não posso mais
que rabiscar o teu nome

domingo, 29 de maio de 2011

falta de verde por, também, dalva

estou deitada na minha cama
comendo uma mini pizza de mussarela
da sadia
sadia é bom
mas não é sadia (tem gente que não bebe e está morrendo
então ok)
ouço how soon is now
penso em como eu amo essa música
penso que ainda estou com fome, mesmo depois da
mini pizza de mussarela
tenho certeza de que não é assim que se escreve
mussarela
mas vida que segue
hoje pensei em sid e nancy
essas histórias sempre me intrigam
além do quê, sid não sabia de nada
e só fez merda
nem baixo ele sabia tocar. mas tocava
por que me preocupo com isso é que
não sei

isso começou para ser uma poesia
mas já no primeiro desverso não foi
dessa forma
como a pipoca que fiz
depois de identificar restos de fome
ainda
dentro de mim

the smiths, eu penso, é bom demais

terça-feira, 10 de maio de 2011

padedê de 1

é uma futura decepção
uma ilusão que crio
puramente por estar no cio
e me sentir no chão