você que já veio e você que está
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
um tipo de imitação sórdido
era uma sexta feira, eu acho. saí do planeta's e peguei um táxi pra pinheiros. encostei no balcão da coletivo galeria sem saber ainda o que pedir. dei uma lida no cardápio porque é isso que a gente faz quando não sabe o que pedir, mas quando a gente sabe exatamente o que tem no cardápio, bom, não parece muito inteligente. resolvi que ia ser uísque, tava entre o Jack e os irmãos Walker, eu não entendo de uísque e não amo uísque, eu sei que tá cheio de gente que entende e de gente que ama e até dos dois tipos de gente, mas no fim das contas uísque não é pra entender, e não necessariamente pra amar, é pra tomar. então a Joana surgiu do meu lado e disse: não toma isso não. faz mal. olhei pra cara dela. logo você?, é, parei com essa vida. fiquei chocada, fui tomada por um súbito sentimento de respeito profundo, e depois dessa eu simplesmente NÃO PODIA tomar aquele uísque. virei pro cara e disse, uma cerveja então, vc ouviu isso aqui né amigo, e ele me deu uma cerveja, não me lembro qual era, e desencostamos dali. sentamos numa mesa na frente da banda que tava tocando. eu tirava fotos da Joana olhando com cara de boba pro guitarrista. eles tão ficando. eu tirava fotos dela e achava aquilo muito bonitinho. mas eu também não entendo de fotos. saí um pouco pra, sei lá, olhar a vista. sp é cheio das vistas, eu sou fanática por vistas, e isso, é claro, é mentira... dali a pouco chegou o Lama, um doido, com outro amigo razoavalmente menos e a sua garota, razoavelmente menos. o Lama pegou a gente pelo braço e fez a gente subir uma escada que dava pro andar de cima, deu uma ronda com a gente pelo lugar e disse que morou lá por um tempo. tempo que ficava escrevendo e bebendo vinho, escrevendo e bebendo vinho. lugarzinho maneiro. depois voltamos pro parlapatões. bebemos mais, comemos milho e conversamos sobre vida boêmia e literatura. e o amigo menos doido vai e diz
- eu acho essa coisa toda muito fantasiosa. esses homens de trinta, quarenta e tantos anos na cara, bebendo até de tarde nos bares da cidade... e outra coisa, eu acho super clichê quem lê bukowski fica tentando imitar o estilo de vida dele.
e uma puta discussão começa à partir disso. na verdade é meio patético julgar o estilo de vida de alguém. o difícil é tentar entender. as pessoas têm motivos pra ser o q são e fazer o q fazem, e nem mesmo precisam prestar qualquer tipo de conta. o Lama não tentou evitar gargalhar na cara do sujeito. depois as meninas começaram a bocejar (eu e a garota do certinho) e a gente decidiu cair fora. descemos a martins fontes, encontramos com a Baiana que vende trufas (é muito engraçado, ela usa um microfone e conta toda uma história estruturada antes de te dar a trufa, eu comprei uma vez só pra ouvir a história), e não me lembro de mais. queria saber o que o Lama tá fazendo agora. deve tá por aí, imitando o estilo de vida do bukowski. há.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
vejo passar manhãs de sol de dentro do quarto escuro
é uma falta de encanto, uma puta falta de encanto, uma falta de encanto generalizada. parece que eu vivo perdendo a capacidade de me maravilhar, e nessas horas a porra da vida fica um saco. não tem nada, absolutamente nada, impreterivelmente nada que me levante a bunda dessa cadeira. e eu não quero sair daqui. não quero tomar uma Original no baixo gávea, quero que se foda o baixo gávea. não quero ver o último filme do Almodóvar q todo mundo tá falando que é do caralho no cinema, não quero aceitar convite nenhum de nenhum desses caras. gosto de ir na Fernanda, pq quando eu conto essas coisas todas pra ela, ela só olha pra mim e diz, vc tá bem, vc tá melhor do que pensa, não fica aflita. é pra eu ficar relax. mas tô muito desencontrada, tô desencontrada pra caralho. tô desencontrada de casa, de cidade, de trabalho, de foco. tô no meio de um monte de incerteza e sei lá se isso é coisa da idade, diz q é coisa da idade, mas porra, que justificativazinha mais chula, né. nem escrever eu tô conseguindo mais, só um monte de ladainha sobre a minha própria falta de brilho nos olhos. 2011 foi um ano muito muito maluco pra mim. crescer é difícil, é o que falam e dessa vez tenho que pôr crédito no que falam, pq é di verdade. em 2011 quase montei uma banda, mas não montei. se essa banda existisse agora, eu taria cantando tudo isso em vez de deixar só assim, letras pretas numa tela branca, tem palavras q precisam de pronúncia e melodia. em 2011 pensei em apagar esse blog mileduzentas vezes. mas fiz uma coisa melhor, não apaguei. em 2011 conheci pessoas incríveis e outras que mostram a bunda por qualquer coisa, a todas o meu muito obrigada, né. tô cagando pra autoajuda. autoajuda não é porranenhuma. sei lá que que eu quero pra 2012. quero só que seja um ano de coragem. e de uma galera mais original.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
1 centavo o quilo
não
eu não esperava ter sorrido hoje
nem quando vi raul gil
nem quando um cara daqueles realmente bonitos me passou uma cantada
nem quando fiz um ótimo teste pra uma peça foda
nem quando recebi uma mensagem com um convite daqueles dificilmente recusáveis
mas ó ke coisa, eu sorri
e porranenhuma ficou melhor depois disso
sei lá, tem coisa q é foda de esquecer
você tá lá vivendo um dia por que não dizer delicioso?,
coisas bem legais acontecem, gente legal, músicas legais, perspectivas legais
mas aí vem aquela única lembrançazinha escrota e te olha no fundo dos olhos
dizendo TAVA ACHANDO QUE IA FICAR FELIZ HOJE? HÁ HÁ HÁ
e aí vc entra num ônibus com uma pessoa que não pode te ajudar em nada
ela te atrapalha, na verdade
e então ela diz, é ele é realmente bom
você sorri e diz, deve ser mesmo
e ela diz, ele é ele é
e vc não pode nem fechar os olhos pq seria muito estranho
então você só pisca demorado
entre um suspiro e um outro
rezando pra que o ônibus tope com alguma van ou um carro grande
isso pelo menos faria com que ela mudasse de assunto
porra, à noite tem coisas q se recusam a ficar pelo meio do caminho
e ficam vindo
vindo pra caralho
vindo que nem malucas
atrás da gente
o ônibus não topou em nenhuma van nem carro
então eu disse, certamente.
certamente.
eu não esperava ter sorrido hoje
nem quando vi raul gil
nem quando um cara daqueles realmente bonitos me passou uma cantada
nem quando fiz um ótimo teste pra uma peça foda
nem quando recebi uma mensagem com um convite daqueles dificilmente recusáveis
mas ó ke coisa, eu sorri
e porranenhuma ficou melhor depois disso
sei lá, tem coisa q é foda de esquecer
você tá lá vivendo um dia por que não dizer delicioso?,
coisas bem legais acontecem, gente legal, músicas legais, perspectivas legais
mas aí vem aquela única lembrançazinha escrota e te olha no fundo dos olhos
dizendo TAVA ACHANDO QUE IA FICAR FELIZ HOJE? HÁ HÁ HÁ
e aí vc entra num ônibus com uma pessoa que não pode te ajudar em nada
ela te atrapalha, na verdade
e então ela diz, é ele é realmente bom
você sorri e diz, deve ser mesmo
e ela diz, ele é ele é
e vc não pode nem fechar os olhos pq seria muito estranho
então você só pisca demorado
entre um suspiro e um outro
rezando pra que o ônibus tope com alguma van ou um carro grande
isso pelo menos faria com que ela mudasse de assunto
porra, à noite tem coisas q se recusam a ficar pelo meio do caminho
e ficam vindo
vindo pra caralho
vindo que nem malucas
atrás da gente
o ônibus não topou em nenhuma van nem carro
então eu disse, certamente.
certamente.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=AbxgK_l3Apg&feature=related
hj não colei em lugar nenhum. fiquei em casa o dia inteiro e quando deu umas duas da manhã bateu uma puta vontade de tomar um sorvete. coloquei um sutiã, fui, alguma força me puxou pro outro lado do bairro, fui parar no mcdonald's, nada mal. pedi a minha promoção de mcfish com coca de sempre e trouxe naquela sacola parda pra viagem. 9 min no total. não tinha bolsos na minha calça, mas seria um bom passeio pra dar com as mãos nos bolsos. e assobiando. serviu pra dar umas bandas por aí. sentei o bumbum na cama e voltei a escrever a peça nova. tô lá pela décima quinta página e ainda não sei sobre o que é. prometo não descobrir. coloquei tom waits e meus dedos começaram a roquear feito crazy, eu diria sambar mas não é bem o que fazem, pra que mentir, eles roqueiam, é o q fazem, com tom waits. get behind the mule, vc teria alguma coisa a acrescentar a esta noite bárbara?, mcfish, tom waits e uma nova peça, e um ar condicionado, bem, eu entenderia se vc tivesse alguma coisa a acrescentar a esta noite. mas vc tb me entende, né, eu sei. me lembrei do meu NUMA FRIA do buk q tá emprestado, porra, eu odeio emprestá-los por isso, é como emprestar um filho, vc não empresta filhos, as pessoas pegam amor neles, não devolvem. e eu não sei cobrar, se numa entrevista me perguntassem NO QUE VOCÊ É PÉSSIMA eu diria EM COBRAR. bom, vou tentar passar por cima disso, pelo menos esta noite. de repente me deu uma saudade de são paulo. não de tudo, mas definitivamente da augusta, vou ter que me acostumar a não estar lá ouvindo um blues e montes de conversa de solidão. é, vou sentir falta da ladainha. vc é do tipo que vai achar q tô dando em cima de você se eu perguntar qualé o teu nome?, rapaz, s a i a da minha frente. lembro q num sábado távamos ali pela roosevelt e o linguinha disse, odeio ditados, é coisa de quem impõe, em vez de expor. achei bonito isso, mas me soou um bocado como um ditado. eu não quis tirá-lo do sério dizendo isso pra ele. e então ele se virou com sua perna de pau e foi saindo. boa ida, linguinha. tem tb aquele milho da roosevelt. q é uma delícia.
hj não colei em lugar nenhum. fiquei em casa o dia inteiro e quando deu umas duas da manhã bateu uma puta vontade de tomar um sorvete. coloquei um sutiã, fui, alguma força me puxou pro outro lado do bairro, fui parar no mcdonald's, nada mal. pedi a minha promoção de mcfish com coca de sempre e trouxe naquela sacola parda pra viagem. 9 min no total. não tinha bolsos na minha calça, mas seria um bom passeio pra dar com as mãos nos bolsos. e assobiando. serviu pra dar umas bandas por aí. sentei o bumbum na cama e voltei a escrever a peça nova. tô lá pela décima quinta página e ainda não sei sobre o que é. prometo não descobrir. coloquei tom waits e meus dedos começaram a roquear feito crazy, eu diria sambar mas não é bem o que fazem, pra que mentir, eles roqueiam, é o q fazem, com tom waits. get behind the mule, vc teria alguma coisa a acrescentar a esta noite bárbara?, mcfish, tom waits e uma nova peça, e um ar condicionado, bem, eu entenderia se vc tivesse alguma coisa a acrescentar a esta noite. mas vc tb me entende, né, eu sei. me lembrei do meu NUMA FRIA do buk q tá emprestado, porra, eu odeio emprestá-los por isso, é como emprestar um filho, vc não empresta filhos, as pessoas pegam amor neles, não devolvem. e eu não sei cobrar, se numa entrevista me perguntassem NO QUE VOCÊ É PÉSSIMA eu diria EM COBRAR. bom, vou tentar passar por cima disso, pelo menos esta noite. de repente me deu uma saudade de são paulo. não de tudo, mas definitivamente da augusta, vou ter que me acostumar a não estar lá ouvindo um blues e montes de conversa de solidão. é, vou sentir falta da ladainha. vc é do tipo que vai achar q tô dando em cima de você se eu perguntar qualé o teu nome?, rapaz, s a i a da minha frente. lembro q num sábado távamos ali pela roosevelt e o linguinha disse, odeio ditados, é coisa de quem impõe, em vez de expor. achei bonito isso, mas me soou um bocado como um ditado. eu não quis tirá-lo do sério dizendo isso pra ele. e então ele se virou com sua perna de pau e foi saindo. boa ida, linguinha. tem tb aquele milho da roosevelt. q é uma delícia.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
meu andar olha pra baixo, tudo o mais é preço q pago.
acabou a realidade. de volta ao show.
seria bonitinho se vc abrisse um livrinho da claricelispector me lesse um poeminha e nós tomássemos um suco de uva com gotinhas de adoçante mas não somos bonitinhos, não lemos lispector, FAZEMOS poeminhas e vc não é adoçante, é pimenta, e não digo nem do reino.
aquele curioso momento em q vc descobre que outras pessoas também deixam músicas no repeat, e por dias, e vc até se sente redimido de alguma maneira.
tchau, estou tirando 05 anos pra dormir o que você não me deixou.
eu não esperava q vc deixasse qualquer tipo de solução na minha alma, mas tb não precisava levá-la embora, né.
tenho uma vigorosa imagem como recordação, ele de costas várias vezes na mesma janela, e depois em outras. mais umas semaninhas e eu poderia ter virado hostess dali. conheci todos os quartos daquela porra. passavam chave mas a gente dava um jeito. por um tempo chamei aquilo de realidade.
outro verão acabando eu continuo inverno.
a vidraçaria humana também entra em crise, catarata, miopia, paixão.
breve estaremos um diante do outro cada um com seu respectivo par de bolas de gude vibrantes marrons, sem saber o que dizer, dizendo um monte.
eu te amei, mas, espero q você entenda, não catolicamente.
sempre que descubro q não sou deus, isso me dói um pouco.
vamos assistir a um filme b, sentar e tomar um vinho e tratar de assuntos b e nos olhar um na carinha b do outro, só não vai ter b-jo.
acabou a realidade. de volta ao show.
seria bonitinho se vc abrisse um livrinho da claricelispector me lesse um poeminha e nós tomássemos um suco de uva com gotinhas de adoçante mas não somos bonitinhos, não lemos lispector, FAZEMOS poeminhas e vc não é adoçante, é pimenta, e não digo nem do reino.
aquele curioso momento em q vc descobre que outras pessoas também deixam músicas no repeat, e por dias, e vc até se sente redimido de alguma maneira.
tchau, estou tirando 05 anos pra dormir o que você não me deixou.
eu não esperava q vc deixasse qualquer tipo de solução na minha alma, mas tb não precisava levá-la embora, né.
tenho uma vigorosa imagem como recordação, ele de costas várias vezes na mesma janela, e depois em outras. mais umas semaninhas e eu poderia ter virado hostess dali. conheci todos os quartos daquela porra. passavam chave mas a gente dava um jeito. por um tempo chamei aquilo de realidade.
outro verão acabando eu continuo inverno.
a vidraçaria humana também entra em crise, catarata, miopia, paixão.
breve estaremos um diante do outro cada um com seu respectivo par de bolas de gude vibrantes marrons, sem saber o que dizer, dizendo um monte.
eu te amei, mas, espero q você entenda, não catolicamente.
sempre que descubro q não sou deus, isso me dói um pouco.
vamos assistir a um filme b, sentar e tomar um vinho e tratar de assuntos b e nos olhar um na carinha b do outro, só não vai ter b-jo.
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