você que já veio e você que está

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

tudo acontece tão rápido
e igualmente rápido desacontece
será mais ágil que a flecha do peito
a ágil flecha da impermanência?
não é mentira
não é frescura
não é romantizar algum tipo de dor
mas tem dias em que simplesmente
você e o universo não pensam parecido.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Amo o teatro

Ela disse "amo o teatro". Deve ser péssima. Elas sempre são. Conheço pouquíssimas boas atrizes. Algumas falam o texto rápido demais, outras têm a dicção ruim, algumas não compreendem o que estão dizendo e outras são duras e simplesmente não parecem estar ali. É complicado. Não é uma tarefa fácil, sequer é uma tarefa.
Acho que é preciso mais do que amar o teatro. O que terá o amor a ver com isso? O amor meio que tem a ver com tudo, é o que eles fazem parecer. Faça com amor e estará bem feito. Não sei se é verdade, o próprio conceito de amor me escapa. Mas que tem que ser feito com todo o seu ser, isto, tem.
Geralmente me dizem, ei, vem ver a minha peça! Tá em cartaz no teatro tal! Dia tal! Hora tal! E eu penso, que merda, digo que vou e descumpro o compromisso, digo que vou, vou e passo aquela hora e meia me debatendo internamente até que toda a tortura acabe ou digo na lata NÃO VOU PODER, POIS NÃO ESTOU AFIM DE IR ATÉ LÁ E ME DECEPCIONAR MAIS UMA VEZ COM OUTRA PÉSSIMA ATUAÇÃO.
Por isso, não fico pentelhando ninguém para ir assistir a uma peça minha. Ok, vá se quiser. Você pode procurar o serviço no meu facebook.
Você sabe que estou lá. Peça tal, dia tal, hora tal. Ficarei feliz se você for, ficarei feliz se você não for, sabe como é, a felicidade só depende da gente.
Quanta bobagem.

domingo, 19 de outubro de 2014

Fazia tempo que não voltava aqui.

É um lugar que quero recuperar. Vinha preferindo postar no facebook os meus escritos,
pelo fato de ele ser mais popular que blogs em geral. Mas, tem coisas que simplesmente não dá para postar por lá.

Ou porque é de pouco interesse das massas, ou porque é pessoal de alguma forma mais íntima.

Então, espero ainda ter maneiras de usar isso daqui.

Ou poder reencontrá-las!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

garotos

teve o Guilherme. Guilherme e eu estudávamos na Chave do Tamanho e, aos quatro anos, começamos a namorar. nos beijávamos mas não andávamos de mãos dadas, eu não queria me expor.

teve o João Guilherme no jardim 3. João Guilherme era grunge, e eu gostava do João Guilherme. João Guilherme bateu sete vezes a cabeça na parede ao receber mais uma péssima nota em uma prova de ciências sociais. eu achei aquilo heroico e também excitante. Thais ou Carolinie, alguma delas, me perguntou de quem eu estava afim. desenhei-lhe a pilô um coração na mão esquerda e dentro dele as iniciais J.G. em breve todos estavam sabendo, mas estou certa de que não foi fofoca barata de minhas colegas, e sim a maneira indiscreta com que eu suspirava cada vez que olhava para ele.

depois, no C.A., teve o Frederico. a mãe do Frederico sabia que eu amava o Frederico, Cynthia, a professora de inglês, sabia que eu amava o Frederico, o papagaio da casa do meu pai repetia FREDERICO FREDERICO FREDERICO. acho que nunca fui boa em me preservar. um dia Frederico me pegou no colo e me rodopiou na sala de aula. meu dente, que estava mole, caiu.

teve o Gabriel, na terceira série. Gabriel tinha cabelos pretos e olhos azuis, era um príncipe autenticado, nada me convenceria do contrário. todas as minhas amigas também gostavam de Gabriel, mas era de mim que ele gostava. mas nunca ficamos juntos. mas nos gostávamos.

o resto eu não posso falar porque estão todos no meu face.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Aparelhagem

Felizmente não há tempo
De ceder a nenhuma angústia
É preciso força para o insuperável
Quando o fatídico destino aponta
As suas armas 
Para as nossas cabeças.

Não tenho pretensões de avanços magníficos
Por causa de nenhum copo de saquê
Ou de flores no caminho 
Apenas sei da necessidade
Do olhar esquivo 
Do peito vazio
Que apesar de ou por isso
Continua palpitando

Sempre haverá alguém 
A jamais querer participar 
Da sua felicidade.

domingo, 23 de junho de 2013

lágrimas no escuro

venha depressa
não vamos olhar para os lados, meu bem, deixe
que os lados olhem pra
gente

me dê a mão
vamos cair fora daqui o quanto
antes

não seja bobo
é claro que te amo
eu só sou jovem demais e
me quero livre demais
para sair gritando uma
coisa dessas

talvez pelo perigo que corro te amando
te amar seja mesmo uma questão de honra

talvez eu chore se nos falarmos ao telefone
mas no fundo eu sou a mesma
a que te quer livre vestido de azul
colocando sonhos vermelhos em
prática

talvez eu chore se não nos falarmos ao
telefone
mas você nunca saberá
porque nem sempre se vê
lágrimas no escuro