você que já veio e você que está

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Qualquer coisa pra um louco. De outro.

Ai, esse cara tem me consumido! Esperando a tua volta eu canto, eu danço - mesmo aquelas coisas que não dançava desde a década de noventa, quando eu era tão cedo uma bailarininha -, eu prego que vou estudar mais esse ano e que não vou sentir saudade. Mas quando mais que saudade é falta que você faz, como se procede? Eu sigo pra lá e pra cá os passos que as vinte e quatro horas de cada dia me obrigam a seguir e me canso (de estar aqui sentada numa pedra aguardando uma coisa que talvez não chegue porque talvez o tempo não se mexa, as horas não passem e tal. Esse é o meu maior medo, virar uma estátua). O vento é um saco. Eu peço e ele continua não ventando, não sei se é o fuso. Aí deve ventar. Se você o vir por aí, faça o favor de cobrar a minha encomenda... eu te espero eu te espero eu te espero mas até quando o balanço da saudade vai ser mais langoroso do que a onde que o mar trouxe só porque você não está? Você foi procurá-la no outro lado do mundo e eu aqui, te procurando... te amando sempre, te amando e como. Desejando cada partícula da felicidade que o teu ser me traz enquanto em mim, enquanto aqui. Perto é um negócio necessário. E amor é um é dois, é três, mas, assim, só esse.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Que Seja (Para a Sua Volta)

Eu faria um soneto para a sua volta
Se soubesse quantas linhas um soneto tem
Se precisa ou não rimar
E se tem que ser belo

Então aí vai o que sei
Ou o que sinto
Ou o que vai, sendo o que seja:

O Que Seja (Para a Sua Volta):

Ter-te é a solicitação que a minha calma
Faz para existir
O alimento da minha alma enquanto
Em pranto sente a tua falta
Afago com meus punhos cheios d’água
Os olhos cheios d’água
A mente amarga
O peito em chama
Minha voz clama
Pelo doce da tua
E nua paro em frente a mim
No espelho e espio o só
Que sou
Quando estás
Longe

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Verdade, Crua Como Um Salmão

A rima é a sina
do verso que versa
o rimante
uns buscam no mundo
chama nos livros
poema nas novelas
trama nos botões
fecho nas boutiques
damas nos pés
eixo outros findam
dias e fundam
noites em um e outro (3X)
shot e - cama
imagine que o amor
sobre quem tanto se leu
e por conseguinte sobre
quem tanto se escreveu
inda não aprendeu e
continua sacaneando -
a linha não existe
senão para ser
possessivamente construtiva
ao passo que o
valor das coisas está
basicamente
em quantas vezes você
desceu para o play
para tricotar o seu vizinho
e é isso aí

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

o homem grosso

o homem grosso
é o homem insosso
depois que botam
um pouquinho de sal pro churrasco.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Eis Que o Judeu Se Acanha

Nada é tão sofrível quanto a situação de um jovenzinho judeu em véspera de dia vinte e quatro de dezembro. Nada o remete tanto às lembranças do holocausto quanto a experiência desse dia, em que praticamente não é cidadão do mundo em que vive. Nessa data fatídica em que se comemora o aniversário de um jesus cristo em que ele só não acredita porque em tais condições fora criado ou porque crê que, se ele tivesse sido realmente o salvador da eternidade, as coisas não estariam como estão para aquele mendigo, por exemplo. Nada intriga mais um jovenzinho judeu do que a expressão "espírito natalino", sobre a qual ele vive matutando e a qual ele não consegue parar de questionar, meio porque acha engraçada. E lá ele fica. Em sua casa, ouvindo as músicas e as risadas natalinas da vizinhança, enquanto balança solitário o seu whisky e olha para o horizonte. Sozinho, solitário e sem perspectivas de perú.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O Casamento

Desde pequena venho possuindo essa inapelável posição de contrariedade ao absurdo final anti-feliz que costumam chamar casamento. E por mais que não desistam de repelir-me com frases do tipo “você ainda vai rir disso” ou “você ainda é muito nova para saber, como eu, que um dia ainda vai rir disso” – babaquices –, eu também, como de costume, tenho a mais absoluta certeza de que nunca irei me render ao matrimônio. Afinal, como a própria expressão, se um pouquinho mais sábia, já diria: não é feliz. É final.
Muito interessante é, para quem observa, assistir à degradação de um relacionamento a partir do momento em que este “evolui” para o passo nupcial. Não sei quem foi que nos veio com esta idéia, mas de fato é uma idéia péssima. Duas pessoas que nasceram em lugares diferentes, famílias diferentes, que possuem hábitos, tiques nervosos diferentes - fora as outras mil e trezentas diferenças que muito provavelmente foram inventadas justamente para separá-las -, definitivamente não podem estar “destinadas” a viver juntas. Dentro de uma casa.


Juntas, dentro de uma casa.


Só a idéia disso já me soa infernal o suficiente para que eu queira evitar somente o assunto por mais pelo menos noventa e sete anos – data oportuna para que não me restem mais bases físicas ou psicológicas para efetivar o ato.
É visivelmente a sentimentos que atribuímos o ato insano do casamento, contudo, é nesse exato ponto que consta o erro: basear nossas vidas dali até o final em aspectos sentimentais é não só louco como besta, afinal para tudo é necessário um, mesmo que pequeno e restrito, uso de Matemática.
Somando as cuecas imundas e espalhadas como pés de guaraná do seu querido marido ao número de vezes que ele preferirá olhar para uma loira mais alta e mais magra do que você em vez de para você ao fazer um daqueles raros passeios pelo singelo-e-quase-nunca-visitado-por-isso-tão-instigante – o que, assim sendo, é perfeitamente perdoável – lugar chamado rua, já temos aí, em termos de vantagem, -7 (menos sete).
E isso tudo ainda parece bobo quando se deve considerar que a “união feliz” precisa, para ser concretizada, passar também pelo Direito. O pior é que você, no fundo no fundo, quer queira quer não, sabe que a quantidade de tempo que você perde assinando papéis no dia mais feliz da sua vida não é nada comparada à que você perde assinando os mesmos papéis no dia do seu divórcio. A diferença é que na primeira situação você ainda podia contar com o apoio do seu amado marido, cujas feições ainda não lhe causavam náuseas.
A separação de bens, que parece ter entrado na moda, é outra coisa que definitivamente vem matando qualquer centímetro dentro de mim que ainda considerava a possibilidade da hipótese de quem sabe um dia vir a me... (não consigo proferir as devidas palavras). O que mais quereria eu – ou qualquer outro individuo do sexo feminino com um mínimo percentual de funcionalidade de escrúpulos – com um marido, que não os seus bens?
De qualquer forma, eu ainda prefiro ter que ir para a escola, para você ver em que nível estamos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ferino

Olhei-te de baixo a cima
Como que te absorvendo
Negra
A dor até que é bonita
Para quem com os olhos felizes olha
Mas quem é que com olhos os felizes
Vai olhar pro negro? Vai olhar é pro céu
Pro céu azul
Mas mesmo o céu
Azul
Mesmo ele bonito e a mais alta das coisas
Fica negro fica felino
E para ele quem com os olhos de felicidade olha
Negro fica
Ferino fica
Igual