*Leia ouvindo rock progressivo da pior qualidade
1) Por que, num texto, numerar pessoas é tão mais fácil do que chamá-las por um nome, que terá que ser inventado? Talvez porque números não tenham que ser inventados, eles já existem. Mas e quanto aos números a que nunca se chega numa contagem? O que vem depois dos quinquilhões de qualquer coisa? Quantos pares de All Star caberão numa sala?
2) Porque eu me importo?
3) Faz um tempo, eu me peguei reciclando todas as minhas roupas. Reciclando, mesmo. Selecionando, jogando fora, cortando umas, colando noutras. A verdade anarco-punk é que eu só queria me livrar de roupas. Me livrar de roupas. Deve ser sensacional sair por aí pelado, eu, que sempre quebrei ou tentei quebrar, ou tentarei, convenções, nunca saí. E acho que nunca vou. Essa perspectiva me mata, achar que nunca vou. Mas é a verdade, fazer o quê, não vou ficar me enganando como muitos (ficam me enganando).
4) Eis que são duas coisas que eu adoraria fazer: A) contar eternamente e B) sair por aí pelada. De repente sair por aí pelada, sentar em alguma esquina e contar.
5) Contar eternamente eu vejo como uma forma de desafio. Estou desafiando essas porras desses números. Quero ver até onde eles vão. Eu fico aqui contando. Vamo lá.
6) Agora mesmo vocês foram testemunhas do meu apego por tudo que é finito: separei em A e B os meus planos. Não que sejam planos – não. Mas não é engraçado? Como tudo é mais fácil, até para o ser que não só não é organizado como também não faz questão de ser? É inconscientemente mais prático classificar o que quer que seja em grupos discernidos por letras, números. Letras.
7) Letra não tem essa viadagem. Letra é um negócio que acaba. Depois de “Z”, não tem mais nada, pá, foi, fim. Não tem esse mistério escroto, essa de ninguém saber onde acaba, quando acaba, como acaba, pra que serve o resto que ninguém usa, se alguém usa, se tem resto. Não é que nem número. Número é coisa de viadinho.
8) Letras sempre me agradaram mais do que números. Números são matemática, e matemática tem um santo que não bate com o meu. Sou judia, deve ser isso (judeu não tem santo). Matemática então está tentando bater com um santo que não existe. Vai ficar lá pra sempre. Batendo. Letras são fofas, letras formam palavras, letras dão em música, letras põem a alma pra fora. Letra é uma coisa foda.
9) Como é que você escreveria “eu te amo” pra alguém em números? No máximo ia dar uma de Família Restart, mandando um shift+vírgula+3 (<3 – coraçãozinho). Po, puta falta de sacanagem, meu. (http://www.youtube.com/watch?v=oXMTWS2i2ng)
10) Mas eu ainda quero sair pelada por aí. Tipo Hair.
você que já veio e você que está
sábado, 11 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Amooooorrrrr
Simplesmente nada foi mais forte do que o dia em que te olhei pela primeira vez. Porque é que olhos são tão janelas? Almas tão saltam de olhos? A vidraçaria humana também entra em crise - catarata, miopia. Mas a crise maior é a de olhos que não são olhados de volta. A de vozes que se calam por não encontrarem eco. Tudo humano se entristece, não é só o ser em todo, o ser em especificidade também. O homem em partes se aborrece, chora, ama, as mãos amam, os dentes amam. A cor de cada órgão depende unicamente de seu grau de amor pelo externo. A infinidade é o externo; tudo o que vai além de si próprio enquanto humano; tudo o que participa da transgressão corpórea; o que evapora fora do ser e ali mesmo nasce; o panorama horizontal. O amor tem com isso nada mais que uma relação de ódio. Com a matemática. Não é, o ódio, amor? Em toda a sua paixão furiosa? É claro que é. É o estado primo do amar, odiar. É o amor na cor vinho, na primeira casa, vestido de paixão rústica, há necessidade de destruição, há mortes internas a todo o minuto.
Quantas vezes mais vamos falar de amor até que cansemos? A que horas cansamos?
Quantas vezes mais vamos falar de amor até que cansemos? A que horas cansamos?
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Ano.
É com letras póstumas, não de Brás nem de cubanos
Menos engomadas que as de parnasianos
Menos retilíneas que as de cartesianos
Que surgem poemas dessas mãos, levianos
Doidamente a mim me engano
Despudoradamente explano
Que entra ano sai ano entra ano,
O corpo meu inda’rde por um mesmo fulano
Do trapo de teu adeus fiz pano
Do barulho notas de piano
Rio seco do que de lágrimas fora oceano
E sorriso brotou desse rosto profano
(como que jasmim)
Foi com armas como as de veterano
Amou-me aos detalhes como que por plano
Sondou-me qual paisano
Esbanjador vaidoso dum ar urbano
Quis cair no mundo; provinciano
Queira não cair do mundo pois há dano
De minha sempre morenice eterno soberano
De minha doce meninice diabo samaritano.
(É teu nome bom para rimar.
Nunca me foi desafio.)
Menos engomadas que as de parnasianos
Menos retilíneas que as de cartesianos
Que surgem poemas dessas mãos, levianos
Doidamente a mim me engano
Despudoradamente explano
Que entra ano sai ano entra ano,
O corpo meu inda’rde por um mesmo fulano
Do trapo de teu adeus fiz pano
Do barulho notas de piano
Rio seco do que de lágrimas fora oceano
E sorriso brotou desse rosto profano
(como que jasmim)
Foi com armas como as de veterano
Amou-me aos detalhes como que por plano
Sondou-me qual paisano
Esbanjador vaidoso dum ar urbano
Quis cair no mundo; provinciano
Queira não cair do mundo pois há dano
De minha sempre morenice eterno soberano
De minha doce meninice diabo samaritano.
(É teu nome bom para rimar.
Nunca me foi desafio.)
sábado, 21 de agosto de 2010
Do razo de todo ser
De voltas e voltas que dei
sei é que de livros que li, pessoas que amei
peguei para mim um pequeno bocado
de lições que compartilho com quem
se dispõe cá e lá, calado
a escutar
o que fiquei loucamente afim de espalhar, depois que primeiramente percebi:
como a gente é pequeno!
diante da infinidade das coisas, boas ou más
diante da divindade, existente ela ou não
diante dos outros, diante um do outro
e como a gente é otário!
na frente do homem seu ego, na frente deste, nada
muros, castelos se cria
a si próprio recria-se para o gozar de si próprio
e o quão tolo é pensar na mesquinharia que são os nossos achares?
no que se baseiam os nossos quereres? na pequenez
de nós mesmos, em corpos de gigantes, quer parecer às formigas
mas idiotizados pelos céus, sacaneados pelos anjos.
feliz do dia em que houver alguém que acorde e não se olhe no espelho.
até lá, somos escravos.
sei é que de livros que li, pessoas que amei
peguei para mim um pequeno bocado
de lições que compartilho com quem
se dispõe cá e lá, calado
a escutar
o que fiquei loucamente afim de espalhar, depois que primeiramente percebi:
como a gente é pequeno!
diante da infinidade das coisas, boas ou más
diante da divindade, existente ela ou não
diante dos outros, diante um do outro
e como a gente é otário!
na frente do homem seu ego, na frente deste, nada
muros, castelos se cria
a si próprio recria-se para o gozar de si próprio
e o quão tolo é pensar na mesquinharia que são os nossos achares?
no que se baseiam os nossos quereres? na pequenez
de nós mesmos, em corpos de gigantes, quer parecer às formigas
mas idiotizados pelos céus, sacaneados pelos anjos.
feliz do dia em que houver alguém que acorde e não se olhe no espelho.
até lá, somos escravos.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Peter Pan do mau, a sombra, o vento ruim
Ai, sai daqui com teus trapos, memória infertil. Larga-me ao meu vicio de esquecer-me, afugenta-te, entende que estou dolorida e vou morrer de amor. Va-se! Morte como esta não satisfaz, adia, só. Foge de mim enquanto ainda estou jogada no chão e não posso correr. Que jogo esse que jogamos conosco mesmos, perecível divindade. Tudo o que resta sempre e igual - o marmore e o mau. Tudo fruto de apedrejamentos e apodrecimentos das tonturas boas em conserva, faltaram especiarias. O ser docificado e maior do que todos os seres, ao menos em simbolo, gasta sua imagem. Deixa que durma, asa ruim, criação nefasta, imagem distorcida, mentira de mel. E vai dormir também, para que, mais tarde, eu te desperte. Ou alguém te desperte em mim.
domingo, 1 de agosto de 2010
Uma música clássica quase mudou minha concepção
perdi o sinal
isso foi a coisa mais triste que já me aconteceu em vida
corri desesperada
mas, nada
mais nada! correr é tolo
quase como dizer 'quando perde-se'
quando o certo é dizer
'quando se perde'
tolinho, tolinho
nextel é foda
correr é erro de português
é erro de inglês, erro de retorno
quase como quando há eco
e não se consegue dizer 'oi'
sem que volte 'oi'
e assim se fica para sempre
'oi'
'oi'
'oi'
'oi'
conversa circularmente tolinha
então repete-se sempre a mesma história
com a mesma Soraia e o mesmo lucas com 'l' minúsculo
de sempre
Soraia, modelo de biquinis da estação, lucas com 'l' minúsculo, o bosta de seu namorado
isso era para ser uma poesia que era para ter nexo
mas que resolveu seguir o curso poético
- formei-me no curso de inglês no final do ano passado, o que foi ótimo, mas ainda não peguei o meu diploma, será que eles ainda têm? -
das poesias em geral, perdendo qualquer sentido
tiraram uma placa que dizia 'direita',
o que mudou tudo.
mudou tudo, tudo, tudo...
isso foi a coisa mais triste que já me aconteceu em vida
corri desesperada
mas, nada
mais nada! correr é tolo
quase como dizer 'quando perde-se'
quando o certo é dizer
'quando se perde'
tolinho, tolinho
nextel é foda
correr é erro de português
é erro de inglês, erro de retorno
quase como quando há eco
e não se consegue dizer 'oi'
sem que volte 'oi'
e assim se fica para sempre
'oi'
'oi'
'oi'
'oi'
conversa circularmente tolinha
então repete-se sempre a mesma história
com a mesma Soraia e o mesmo lucas com 'l' minúsculo
de sempre
Soraia, modelo de biquinis da estação, lucas com 'l' minúsculo, o bosta de seu namorado
isso era para ser uma poesia que era para ter nexo
mas que resolveu seguir o curso poético
- formei-me no curso de inglês no final do ano passado, o que foi ótimo, mas ainda não peguei o meu diploma, será que eles ainda têm? -
das poesias em geral, perdendo qualquer sentido
tiraram uma placa que dizia 'direita',
o que mudou tudo.
mudou tudo, tudo, tudo...
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