você que já veio e você que está
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Foi então que resolvi parar para refletir. Na minha reza diária, que faço antes de dormir, peço sempre e invariavelmente "felicidade". Seria justo que, num mundo de sei lá quantas bilhões de pessoas, toda a felicidade fosse minha? E, se fosse, o que teria eu feito para merecê-la tanto assim? Chego a respostas completamente nulas. Não sei. Não sei mesmo, e é engraçado porque, geralmente, eu costumo saber das coisas. Saber não de ser sabe-tudo, mas de ter uma opinião formada sobre tudo. Uma idéia, uma forma, uma concepção sobre tudo. "Eu prefiro ter aquela velha opinião formada sobre tudo do que ser uma metamorfose ambulante". O fato é: você nasce, cresce, vê as coisas se transformando a sua volta, entende algumas, outras simplesmente ignora, enquanto terceiras mais se parecem com mistérios insolúveis. Indubitavelmente, esse dia vai chegar para você também, amigo. O dia em que a única resposta para toda e qualquer pergunta que possa surgir proveniente de dúvida é: não sei. Pode soar frustrante. Mas é humano, é puro, é essencial ao rumo da sociedade. Porque ela está indo a algum lugar, não está? É normal - seja lá o que normal for. Seria realmente delicioso que todas as respostas eclodissem como que do nada de dentro do peito de cada um, como pássaros ligeiros. Ou será que não seria? Conformar... conformar. É... meio louco isso de ficar pensando sobre as coisas, como se pensar sobre elas fosse resolvê-las ou de fato adiantar de algo. Não vai. Mas isso não é motivo suficiente para me convencer de que não vale a pena remoe-las. E obrigada por perder dois minutos do seu tempo, pensando, aqui, comigo. Já acabei, agora vai dar uma olhada naquele arroz que você deixou no fogo...
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Gatos no Telhado
Estavam dois gatos em cima do muro, em um local que achavam seguro.
Andaram quietos pra lá e pra cá, pois qualquer barulho iriam escutar.
Já não aguentavam viver como gatos, queriam pés para pôr sapatos.
Haviam decidido que iriam pular e, quando acordassem, humanos virar.
Tomaram coragem, contaram até três, vamos logo com isso de uma só vez.
Abriram os olhos e nada tinha acontecido, será que os dois já haviam morrido?
Então levantaram-se para descobrir, e ainda tinham patas para onde quisessem ir.
Nem humanos e nem mortos afinal, o primeiro se perguntou se ele era imortal.
O segundo entendeu o que havia sucedido, pôs se a chorar e deu um grito:
- "Somos gatinhos e gatinhos vamos permanescer, nem que tentemos mudar isso, somos gatinhos até morrer!"
O primeiro respondeu, meio que sem compreender o amigo seu:
- "Mas se somos gatinhos até morrer, por que pulamos e não morremos? Ou não pulamos direito ou nem morrer nós sabemos!"
E então, como um furacão, veio a solução:
- "Agora já entendo porque é que estamos bem: é que nós somos gatinhos, e sete vidas os gatinhos têm"
Yasmin Gomlevsky
Andaram quietos pra lá e pra cá, pois qualquer barulho iriam escutar.
Já não aguentavam viver como gatos, queriam pés para pôr sapatos.
Haviam decidido que iriam pular e, quando acordassem, humanos virar.
Tomaram coragem, contaram até três, vamos logo com isso de uma só vez.
Abriram os olhos e nada tinha acontecido, será que os dois já haviam morrido?
Então levantaram-se para descobrir, e ainda tinham patas para onde quisessem ir.
Nem humanos e nem mortos afinal, o primeiro se perguntou se ele era imortal.
O segundo entendeu o que havia sucedido, pôs se a chorar e deu um grito:
- "Somos gatinhos e gatinhos vamos permanescer, nem que tentemos mudar isso, somos gatinhos até morrer!"
O primeiro respondeu, meio que sem compreender o amigo seu:
- "Mas se somos gatinhos até morrer, por que pulamos e não morremos? Ou não pulamos direito ou nem morrer nós sabemos!"
E então, como um furacão, veio a solução:
- "Agora já entendo porque é que estamos bem: é que nós somos gatinhos, e sete vidas os gatinhos têm"
Yasmin Gomlevsky
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
- meu amor, seja sincero, você acha que eu to gorda ?
- gorda? Que isso, você ta maravilhosa! Aliás, você é maravilhosa, do jeito que você é!
- do jeito que eu sou? Como assim “do jeito que eu sou”? quer dizer então que eu não to magra?
- não, eu não disse isso. Você ta linda. Aliás, eu até ia te perguntar... você ta fazendo dieta?
- eu? Ah, to fazendo aquela dieta do brócolis, alface, rúcula, alcachofra... como tudo menos isso! Ai, mas meu amor, eu creio que Deus há de me ajudar a emagrecer!
- É, eu não acredito muito em Deus, mas que ele existe, existe.
- que é isso, meu amor! Deus está em toda a parte!
- isso não quer dizer nada, a coca-cola também está e nem por isso você emagrece.
- Hahá, o palhaço se manifestou.
- ah, não briga comigo por causa de Deus não, meu amor! Olha, eu até trouxe um chocolatinho pra você!
- chocolatinho? Você está louco! Chocolate é um minuto na boca e a vida toda nos quadris. Dispenso, isso vicia e aí depois pra desviciar é um problema.
- mas que isso! Claro que não! Eu como chocolate há anos e nunca me viciei!
- ah, então só pode ser Deus que está te salvando! Lembre-se: Deus é brasileiro e não desiste nunca!
- Deus, brasileiro? Meu amor, Deus é português, o diabo é que é Brasileiro.
- ah, mas hoje você ta que ta hein? Impossível de conversar, né? Olha, eu vou dormir, ta bom? Boa noite. E quer saber? Hoje você dorme no quarto da Estelinha.
(Aparece Estelinha)
- O quê? No meu quarto, não, mãe! O papai ronca muito!
- estelinha, isso é normal! Quem nunca teve um pai que ronca não sabe o que é ter um pai!
- ai, mãe, eu não sei como você agüenta dormir com o papai todo dia! Parece que ta dormindo do lado de uma furadeira ligada na tomada!
- meu amor, você se acostuma com isso! E olha que algumas mulheres até tem isso em comum com os seus maridos, não é verdade?
- eu, hein! Se eu fosse você e fosse casada com o papai, a única coisa que teríamos em comum seria o dinheiro dele.
- ih, olha essa menina como já está, marco Antônio! Culpa tua! Vai dormir, estelinha, que Deus ajuda a quem cedo madruga.
(Estelinha acerta o despertador)
- ajuda...? 5 da manhã! Amanhã Deus vai ter muito o que fazer!
Yasmin Gomlevsky
- gorda? Que isso, você ta maravilhosa! Aliás, você é maravilhosa, do jeito que você é!
- do jeito que eu sou? Como assim “do jeito que eu sou”? quer dizer então que eu não to magra?
- não, eu não disse isso. Você ta linda. Aliás, eu até ia te perguntar... você ta fazendo dieta?
- eu? Ah, to fazendo aquela dieta do brócolis, alface, rúcula, alcachofra... como tudo menos isso! Ai, mas meu amor, eu creio que Deus há de me ajudar a emagrecer!
- É, eu não acredito muito em Deus, mas que ele existe, existe.
- que é isso, meu amor! Deus está em toda a parte!
- isso não quer dizer nada, a coca-cola também está e nem por isso você emagrece.
- Hahá, o palhaço se manifestou.
- ah, não briga comigo por causa de Deus não, meu amor! Olha, eu até trouxe um chocolatinho pra você!
- chocolatinho? Você está louco! Chocolate é um minuto na boca e a vida toda nos quadris. Dispenso, isso vicia e aí depois pra desviciar é um problema.
- mas que isso! Claro que não! Eu como chocolate há anos e nunca me viciei!
- ah, então só pode ser Deus que está te salvando! Lembre-se: Deus é brasileiro e não desiste nunca!
- Deus, brasileiro? Meu amor, Deus é português, o diabo é que é Brasileiro.
- ah, mas hoje você ta que ta hein? Impossível de conversar, né? Olha, eu vou dormir, ta bom? Boa noite. E quer saber? Hoje você dorme no quarto da Estelinha.
(Aparece Estelinha)
- O quê? No meu quarto, não, mãe! O papai ronca muito!
- estelinha, isso é normal! Quem nunca teve um pai que ronca não sabe o que é ter um pai!
- ai, mãe, eu não sei como você agüenta dormir com o papai todo dia! Parece que ta dormindo do lado de uma furadeira ligada na tomada!
- meu amor, você se acostuma com isso! E olha que algumas mulheres até tem isso em comum com os seus maridos, não é verdade?
- eu, hein! Se eu fosse você e fosse casada com o papai, a única coisa que teríamos em comum seria o dinheiro dele.
- ih, olha essa menina como já está, marco Antônio! Culpa tua! Vai dormir, estelinha, que Deus ajuda a quem cedo madruga.
(Estelinha acerta o despertador)
- ajuda...? 5 da manhã! Amanhã Deus vai ter muito o que fazer!
Yasmin Gomlevsky
Boa Estrada
- vai.
- vai onde?
- vai embora, vai pronde quiser. Tua cara já me enjoa, tua conversa é estulta. Vai logo, homem de Deus.
- não dá, estou preso a ti quase como um estribo preso à cela. Meu amor, eu abnego a tudo pra ficar contigo. Não deixa que eu suma na poeira, que aí nunca mais vai me ver novamente.
- quem me dera que tal proeza fosse verdade. A última coisa que quero é prosseguir a ver-te a toda hora, a hora toda. Vai que te peço, encarecida.
- tu és áspera nas palavras mas sei bem que teu coração anseia pela minha presença. Não vou a lugar algum.
- veja bem se entende o português, homem. Estou a te dizer alto e claro que não te quero, mas se não quiser ouvir, o problema é todinho seu. Você já foi alguém para mim, mas hoje não significa nada. E saiba também que não é nem um tantinho eloqüente.
- não quero ser nada além de teu. Nunca fui um titã, nem pretendo ser. Quantas vezes quer que repita que não quero ser nada além de teu?
- pois vai ficar a querer. Anda, vai embora que não te quero mais. Minha paciência está no apogeu do Everest e sua insistência é o estopim.
- se você continuar por assim inatacável, terei que ir embora de verdade. Meu
coração não vai suportar tremenda sofreguidão.
- pois agora é que continuo. Aliás, saiba que nem comecei ainda.
- pois agora é que não vou. Meus pés estão tão plantados quanto duas bananeiras neste chão ingrato como a dona.
- fique sabendo que sou inapelável, vá gastando tua saliva que só perde. É bom que assim poupa outras pobres moças desse seu beijo.
- e agora reclama do meu beijo? Ele nunca te incomodou, pelo contrário. Bem que gostava quando te beijava.
- pois ele sempre me incomodou. Burra que sou, aceitava sua peleja diária: “beija-me, beija-me que tu não perdes por beijar”- e beijava.
- e perdia?
- nossa, e como. Pois, vá-se agora, vá-se embora que tenho que fazer mercado e marcar depilação e tu mais uma vez só atrasas minha vida.
- se for, você vai se arrepender e isso é certo. Mas saiba que sou seu eterno epílogo e sem ti minha vida reduz-se ao menor dos nadas. Meu coração chega que fica desconcertado só de pensar que tu não queres mais meu amor.
- deixe de lero que sei bem que tu não me amas coisíssima nenhuma. E vá de retro, que não te quero mesmo, não.
- se é assim que quer, vou deixar de tanta reluta. Mas se sentir saudade, olha pra cima que eu vou estar fazendo o mesmo, admirando tua beleza através de alguma estrela.
- só cuidado para não apontar pra nenhuma delas e ficar que nem maracujá, todo enrugado, hein, cabra. Vá com Deus e boa estrada.
- se quer que vá com Deus, tem que vir comigo. Tem que vir comigo porque para mim, tu és Deus, mais que Deus, és...
- não fala coisa dessas, homem, que Deus não vai se agradar disto.
- que me importa se Ele quiser tirar-me a vida, se sem ti, eu sou como vegetal que só respira porque oxigênio não há de faltar nesta terra?
- está deixando-me encabulada com essa tua conversa. Pare de agir como criança, pois sabe que não te pertenço mais.
- já me faltam palavras para te convencer. Tentei de tudo, mas tudo não basta para ti, não é, Maria?
- não é questão de bastar. Eu não te amo, eu não te quero, faça-me um favor e vá embora de uma vez, homem?
- e é assim, agora? Usa-me como chiclete, que é gostoso ao mascar, mas quando perde o gosto é jogado fora? Não estou reconhecendo você, Maria. Ah, que desgosto!
- e tu, pares de drama, seu João! Trate de arrumar suas trouxas e pegar a estrada.
- mas, Maria...
- nem mas em meio mas, vá com Deus e boa estrada.
- vai onde?
- vai embora, vai pronde quiser. Tua cara já me enjoa, tua conversa é estulta. Vai logo, homem de Deus.
- não dá, estou preso a ti quase como um estribo preso à cela. Meu amor, eu abnego a tudo pra ficar contigo. Não deixa que eu suma na poeira, que aí nunca mais vai me ver novamente.
- quem me dera que tal proeza fosse verdade. A última coisa que quero é prosseguir a ver-te a toda hora, a hora toda. Vai que te peço, encarecida.
- tu és áspera nas palavras mas sei bem que teu coração anseia pela minha presença. Não vou a lugar algum.
- veja bem se entende o português, homem. Estou a te dizer alto e claro que não te quero, mas se não quiser ouvir, o problema é todinho seu. Você já foi alguém para mim, mas hoje não significa nada. E saiba também que não é nem um tantinho eloqüente.
- não quero ser nada além de teu. Nunca fui um titã, nem pretendo ser. Quantas vezes quer que repita que não quero ser nada além de teu?
- pois vai ficar a querer. Anda, vai embora que não te quero mais. Minha paciência está no apogeu do Everest e sua insistência é o estopim.
- se você continuar por assim inatacável, terei que ir embora de verdade. Meu
coração não vai suportar tremenda sofreguidão.
- pois agora é que continuo. Aliás, saiba que nem comecei ainda.
- pois agora é que não vou. Meus pés estão tão plantados quanto duas bananeiras neste chão ingrato como a dona.
- fique sabendo que sou inapelável, vá gastando tua saliva que só perde. É bom que assim poupa outras pobres moças desse seu beijo.
- e agora reclama do meu beijo? Ele nunca te incomodou, pelo contrário. Bem que gostava quando te beijava.
- pois ele sempre me incomodou. Burra que sou, aceitava sua peleja diária: “beija-me, beija-me que tu não perdes por beijar”- e beijava.
- e perdia?
- nossa, e como. Pois, vá-se agora, vá-se embora que tenho que fazer mercado e marcar depilação e tu mais uma vez só atrasas minha vida.
- se for, você vai se arrepender e isso é certo. Mas saiba que sou seu eterno epílogo e sem ti minha vida reduz-se ao menor dos nadas. Meu coração chega que fica desconcertado só de pensar que tu não queres mais meu amor.
- deixe de lero que sei bem que tu não me amas coisíssima nenhuma. E vá de retro, que não te quero mesmo, não.
- se é assim que quer, vou deixar de tanta reluta. Mas se sentir saudade, olha pra cima que eu vou estar fazendo o mesmo, admirando tua beleza através de alguma estrela.
- só cuidado para não apontar pra nenhuma delas e ficar que nem maracujá, todo enrugado, hein, cabra. Vá com Deus e boa estrada.
- se quer que vá com Deus, tem que vir comigo. Tem que vir comigo porque para mim, tu és Deus, mais que Deus, és...
- não fala coisa dessas, homem, que Deus não vai se agradar disto.
- que me importa se Ele quiser tirar-me a vida, se sem ti, eu sou como vegetal que só respira porque oxigênio não há de faltar nesta terra?
- está deixando-me encabulada com essa tua conversa. Pare de agir como criança, pois sabe que não te pertenço mais.
- já me faltam palavras para te convencer. Tentei de tudo, mas tudo não basta para ti, não é, Maria?
- não é questão de bastar. Eu não te amo, eu não te quero, faça-me um favor e vá embora de uma vez, homem?
- e é assim, agora? Usa-me como chiclete, que é gostoso ao mascar, mas quando perde o gosto é jogado fora? Não estou reconhecendo você, Maria. Ah, que desgosto!
- e tu, pares de drama, seu João! Trate de arrumar suas trouxas e pegar a estrada.
- mas, Maria...
- nem mas em meio mas, vá com Deus e boa estrada.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Há quem contradiga, mas eu digo: o medo é uma coisa maravilhosa. Essa vida traz um montão de coisas boas, e umas duas ou três maravilhosas. O medo é algo com o que se tem que aprender a lidar, é algo que se precisa saber tratar como frutífero, em vez de malígno. O medo não é um sentimento singular. Quando vem, não vem sozinho. Vem com a vergonha, com a aflição, com o nervosismo, com o desconhecido. O medo vem com o desconhecido. E com tudo isso, vem a vontade. Esse medinho de cinco minutos antes é o mais gostoso. Cinco minutos antes de entrar em cena, cinco minutos antes de chegar na festa, cinco minutos antes. Tem o medo da bronca. O medo da nota baixa, de chegar atrasado, o medo das coisas mais banais como uma barata até as que são fatalmente dignas dele: o medo da perda. É o medo o grande motor de todos os outros sentimentos humanos. É ele que evoca as mais puras e insanas sensações, que permite que se prove os sabores mais amargos e também os mais doces. É a partir do medo, e somente dele, que uma pessoa realmente se conhece. Que ela passa a se conhecer, ou melhor, a se reconhecer. Reconhece-se não como achava que era ou que seria ou que gostaria de ser ou da forma que fosse, mas como essencialmente é. O medo guarda dentro de alguém o que este tem de mais precioso. E faz com que isso exploda na hora e no momento exatos. O medo traz circunstâncias em que se vê perdido mas logo acha-se. Essencial é para o homem o medo de si.
Yasmin Gomlevsky
Yasmin Gomlevsky
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Adolescer
Não quero viver pra sempre, sair voando, morar no Havaí. Não quero status, grana, marido, crianças. Não quero ser invisível, passiva, possível nem impossível. Não quero um carrão, viagens, aquele falso sorriso estampado, lado a lado. Não quero viver só por viver, só porque me mandaram, só porque eu não escolhi e, mesmo assim, estou aqui. Não sou eternamente grata. Não quero ordens, não quero acordos, não quero paz, não quero abortos, eu não estudo, não uso drogas, não falo errado, não ando torto, como besteira. Não passo das dez, escovo os dentes, vejo tevê, sou adolescente, erro, erro, erro. Ando por aí, não quero encontrar ninguém. Encontro. Oi, tudo bem? Ando mais um pouco, não quero encontrar ninguém, olho para o chão, pulo as pedras pretas, pulo as pedras brancas, vontade de ser criança, um garoto bonito do outro lado da rua, atravesso, mas que loucura! Desviar o caminho por causa de um gatinho, vê se pode, olha só, essa garota tá ficando louca, tem dó! Volto pra onde deveria estar naquele momento, mas de onde tinha saído por puro esquecimento...da hora! Ah, meu Deus, já tô atrasada pra aula, aquela mulher me odeia, melhor correr senão ela se chateia. Vou pisar em qualquer pedra, que se dane, nem tenho mais tempo, tá na hora, vamos embora, vamos logo, não vai dar, não vou chegar, mas nem por um decreto! Tô ferrada, isso é certo. Daqui a dois anos eu me livro, é só mais um pouco, mais um pouquinho, vou escrever um livro, lançar um filme sobre o garoto, tô na José Linhares, só falta um trechinho. Fiquei com ele ontem, liguei pra Ti, contei pra Tati, comentou com o Zé, que me ligou, pegando no meu pé. Esse aí é muito feio, não serve pra você, eu sou bem mais bonito, mais forte, mais alto e sua mãe me adora, já sei, já sei, já sei,...cheguei! Interfona aí para a Sônia, boa tarde, tô atrasada, dá pra ir rápido? Obrigada! Não sei porque o Zé não se pega, já que ele se ama tanto. Ou será que ele me ama, e eu é que espanto? Ah, que isso, o Zé um irmão, sou mais o Tiago, meu Deus, que tesão. Aquele garoto ainda vai se ver comigo, oi Soninha, fiz sim, tá aqui. Ops, cadê, pera aí, vou achar, é que a empregada arruma e tira tudo do lugar! Ai, Dani, depois a gente conversa, agora tenho que ir, foi mal, tô com pressa.
Yasmin Gomlevsky
Yasmin Gomlevsky
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Poeminha Para Ninguém
A força do teu pensamento
Invade-me a alma de forma tão desastrosa
Que pensar respirar de outra substancia seria mais que um insulto a estes pulmões
Tuas palavras me ensandecem num estalo tão violento
Que chegam a tremer-me as pernas,
Que me consomem, percorrendo-me ferozmente
Num alarde, difunde-se o veludo que traz consigo tua voz
Chega a meus pés sem mesmo que eu dê-me conta
E quando vou ver, já estou completamente tonta
Mas me fazes mal, meu amor
Pois, que se vá sem se ver, que se vá sem me doer
Que se ande sem se sentir pesar, que se arda sem se sentir ferver
Vá, que te espero ao escurecer...
Yasmin Gomlevsky
Invade-me a alma de forma tão desastrosa
Que pensar respirar de outra substancia seria mais que um insulto a estes pulmões
Tuas palavras me ensandecem num estalo tão violento
Que chegam a tremer-me as pernas,
Que me consomem, percorrendo-me ferozmente
Num alarde, difunde-se o veludo que traz consigo tua voz
Chega a meus pés sem mesmo que eu dê-me conta
E quando vou ver, já estou completamente tonta
Mas me fazes mal, meu amor
Pois, que se vá sem se ver, que se vá sem me doer
Que se ande sem se sentir pesar, que se arda sem se sentir ferver
Vá, que te espero ao escurecer...
Yasmin Gomlevsky
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