você que já veio e você que está

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Término

na verdade foi mais fácil do
que eu imaginava, eu ia ensaiando por horas
por dias pela rua em casa até cagando
no banheiro

eu ensaiava
como eu ia te dizer que não te amava mais
comé que se diz pra alguém que não se ama mais?
você mudou de uns tempos pra cá

não, minto, fui eu que mudei,
eu disse (pro espelho),

tenho tido tanta coisa pra ler que mal
me sobra tempo pra mim mesma

que merda de desculpa
até cagando eu conseguia perceber como era uma
merda essa desculpa

foda-se, parei de ensaiar, fui até ele
e falei o seguinte: olha, querido,
eu disse,
eu não gosto mais de você. é que... me desculpa. eu não
sei direito o que é, mas acho que é a cor do seu cabelo.

você tem uma cor de cabelo um pouco indefinida.
isso traz muito da sua personalidade.
seu cabelo não é nem de todo cinza nem de todo castanho, isso

me intriga. quererá isso dizer
que você não sabe quem é direito?

que você não tem personalidade?

que você é inconstante, imaturo?

não sei, e tenho medo de descobrir!
tenho medo de estar perto de você!
tenho medo de você!

fique longe de mim - não chega a mais de cem metros - se afaste
EU ESTOU FALANDO SÉRIO, SE AFASTE ou
eu grito -Polícia,

eu disse,

eu grito mesmo, hein! Socorro! Socorro! Bombeiros! Fogo!
se você ficar aí parado olhando pra
mim com essa

cara de maníaco
eu grito que você está me tacando fogo. O quê,
vai tacar de verdade?

ele vai tacar fogo!!!
salve-se quem puder!!!
como eu pude, meu deus, como eu pude
como eu não vi,

meu deus,

como eu não vi

afobadamente
peguei a minha capa de chuva
ergui o capuz de PVC
seu monstro,
eu disse,

bati-lhe a porta
forte
extremamente forte
comtodaaforçaqueeutivesse forte

respirei aliviada
comedida
satisfeita
e fui.

acho que não me saí tão mal.
acho até que me saí bem.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Apertada de bunda

ele foi embora daqui às duas da manhã
o dia tinha mudado, porque depois de meia noite
muda, mesmo que você não tenha dormido, que ainda esteja escuro

reparei em como a bunda dele era maior
do que eu pensava
fui até lá e apertei

ele me olhou com a cara esquisita que faz
quem não entende alguma coisa
eu expliquei

"percebi que era maior do que eu achava"
nisso ele com os olhos fixos nos meus
esticou o braço e botou

pra tocar uma música no meu som
com o outro, me alcançou, me levantou e me rodou no ar
me pôs no chão e se deitou sobre mim

dias passaram enquanto brincávamos
rolávamos pra lá e pra ali e
mais dias e mais dias e

foi quando eu disse "querido, melhor você ir"
ele, triste. Não se manda alguém embora assim
mas eu mandei, mandei porque

tinha sono, o encontro com a minha cama, mas, eu sozinha
dessa vez,
me fazia delirar de prazer

por isso eu disse o que disse
e com os olhos, de novo, ele me pedia mais
e dizia "vamos"

eu dizia "vá, estou com sono, minha boca está seca
você me está secando os lábios, os olhos, está me
deixando anêmica. E olha que não estamos numa história de vampiro"

ele sugeriu entrarmos; eu, delicadamente, me levantei
comecei a me vestir de forma sugestiva
minha sugestão era que ele fosse - eu queria mesmo dormir

vi a mágoa em toda a sua linguagem corporal
fiz que liguei mas não liguei
apaziguei "vamos, querido, não fique assim"

foi quando percebi: nem eu estava mais lá
a bebida me havia subido à cabeça e o sono, então
tudo conspirava para que eu desmaiasse ali mesmo

mas não.
Ele se levantou
e fomos à porta

no que ele dispara: "nunca mais faço sexo com você
você me deixa atordoado
eu nunca sei o que pensar

você me usa
você acha que eu sou um brinquedo
você me trata como se"

"vá para casa e me deixe saber quando chegar, sim?"
e um beijinho
na trave

depois uma mensagem
"eu nunca mais quero te ver. Ingrata"

e tudo isso por causa de uma simples
e corriqueira
apertada de bunda.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cássia que me desculpe

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha, esperando a van da escola, sozinha. Atrasada com meu fichário novo, cantando alto pelos meios por ser uma menina má. Quem sabe o príncipe virou um chato que vive dando no meu saco? Quem sabe a vida é não parar. Eu só peço a Deus um pouco mais de malandragem, pois fui criança e não há a verdade. Eu sou poeta e amo torto, eu sou poeta e amo torto. Bobeira é não viver a fantasia. E eu ainda tenho a vida inteira. Eu corro nas ruas, eu levo xeque, mudo uma roupa ou de lugar, não dirijo minha bicicleta (porque não sei andar), tomo meu pileque e ainda tenho tempo pra escrever! Pra escrever!

Eu só peço a Deus um pouco mais de malandragem... pois sou boba
E não conheço a verdade, mas quem conhece?
Eu sou poeta e ensino a amar (trago seu amor em 3 dias)
Eu sou poeta e ensino a amar

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

oPÓésolto

eu estou te espedaçando
ao mesmo tempo estou me pindo
mesmo não cordando comigo
mesma

estou bravando o caminho
e troçando os riscos
e persando notas
e colhendo horas

pra cantar
uma mesma música
uma mesma lúdica
uma menos má

canção que quero
numa mesma bar
numa mesma mesa
de

ri! vai
o caminho é livre
o último episódio é light
o pó é solto

a base é stick
o homem é nu graças a deus
a vida é feia como manga chupada por cão
e eu canto

a mesma
a mesma
a mesma
canção

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

livro levo solta

Seja sensível
Receba o toque aveludado de uma poesia na sua alma
Seja mártir, doer e sangrar é divino
Seja sempre que der ator
Maquie-se, pois um homem verdadeiramente ligado a si próprio precisa saber desligar-se
E gostar
Sente-se e escreva poesias que toquem aveludadamente a outros
Que sejam como mãos suas acariciando a outros
Não só o que rime tampouco só o que seja belo
A importância da simetria diante do sentir e expor é pó, juro
Escreva o ar que te venta e o tombo que tenha levado
Ou para o namorado ou escreva por escrever
Qual a importância de qualquer motivo para qualquer ato?
Importa é o ato
Por isso somos o que,
Atores,
Nos tornamos: pelo livre, pelo leve, pelo solto.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

'Você já parou pra pensar que' ou 'A sua mãe também é uma menina'

basta pouco pra gente se entregar
e embora a gente negue
a gente é fáciiil
é que somos ácidas e difíceis de tragar
antes que a gente se desespere
não dá tempo de ouvir explicação

menina é bicho ruim
somos complicadas
somos feias, muito feias, acontece que nos maquiamos
dizem não ser um belo vestido e sim
o por dentro que nos faz aladas
ai, quem escreve não sabe o que diz

gente que pensa que manja
tudo de menina mas menina não é
pensa errado. pode ser o maior literato
perito sujeito reporter esperto ou, travestido, ter dado canja
- se não tem o espírito se não é se não é -
não é e ponto desculpa cortar-lhe o barato

amamos [(...)a ideia de amar] muito mais que o suficiente
somos feias, muito feias, acontece que nos maquiamos
gostamos de saia, ué, gostamos

usamos saia giraaaaaaaaaaandooooooo levanta com ar
os meninos aolhar
tipo Marylin

tipo Scalet tipo Sheyla TIPO XUXA!
QUAL, que menina não gosta dum rock dum rosa chock
dum rosa bebê
dum rosa rosè
dum rosa penélope
dum rosa pálido
dum rosa médio
dum rosa alaranjado
dum avermelhado
dum ensanguentado

QUAL, que menina não adoraria ensanguentar alguém
só de olhar, praguejar três dúzias de... jogos de futebol perdidos para o outro time e depois ir tomar um banho de sol com um maiô Navy em Fernando de Noronha e três saquês oferecidos pelo barman gostoso?

O DIABO VESTE PRADA ou é prada que se veste de Diabo
(?) (hein)
somos todas umas fúteis umas estúpidas umas malucas
e nem todas
mas quase todas
d e l i c i o s a s

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poemas soltos da aula de álgebra

1 - A grande felicidade será
Que quem magoares
Deseje-lhe que brotem apenas
Mãos de seu cérebro
E não outros órgãos.

2 - O interesse ser móvel
é pelo desinteressante ser óbvio

3 - Menina pura
Qual água suja -
Imundice nua

4 - O único choro que verdadeiramente não provocamos
É o que quando chegamos ao mundo
Choramos

5 - Como é triste a liberdade
não é senão eterna busca
por novidade
que em segundo
vira distante -
a sempre busca
por afligir-se
e no quesito fase
é constante.

3 - Saber-se é muito pensar-se
E pouco buscar-se.
(Por isso essa legião de acomodados
Por quem todos os dias
Como soldados
Quem pensamos que somos
Passam)